
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que o esquema de fraude fiscal alvo de megaoperação nesta quinta-feira (27) desviava R$ 350 milhões dos cofres públicos por mês. Estima-se que o prejuízo total seja de R$ 26 bilhões.
— O que isso significa? A gente está construindo, por exemplo, o Hospital de Franca, o Hospital de Cruzeiro, o Hospital de Tapetinga. Esses hospitais vão custar R$ 250 milhões, mais R$ 70 milhões de equipagem. Estamos falando de R$ 320 milhões. É como se subtraísse da população um hospital de médio porte por mês — exemplificou Tarcísio, em coletiva de imprensa no fim da manhã.
Deflagrada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira/SP), a megaoperação mira 190 alvos suspeitos de crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro. Foram cumpridos mandatos de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Distrito Federal. Também foram bloqueados pelo Cira R$ 8,9 bilhões de pessoas envolvidas no esquema.
Alguns mandados miram empresários ligados ao Grupo Refit, dono da antiga refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro.
O promotor de Justiça Alexandre Castilho, do Cira, destaca que a investigação não identificou a atuação de nenhuma facção criminosa no esquema. Segundo ele, também não há relação da operação desta quinta-feira com a Carbono Oculto.
Como funcionava o esquema
A investigação aponta que as fraudes ocorriam por meio de uma rede de colaboradores, holdings, offshores que utilizavam fintechs e fundos de investimentos.
O dinheiro desviado era reinvestido em propriedades, negócios e outros ativos para dificultar o rastreamento.
Segundo a Receita Federal, foram localizados 17 fundos ligados ao grupo que juntos somam R$ 8 bilhões. A análise destes fundos apontou ainda a participação de entidades de Delaware, nos Estados Unidos, conhecida por permitir a criação de empresas do tipo LLC com anonimato e sem tributação local, desde que não gerem renda em território norte-americano.
A ação batizada de Poço de Lobato conta com 621 agentes públicos entre promotores de Justiça, auditores fiscais da Receita Federal, das secretarias da Fazenda do município e do Estado de São Paulo, além de policiais civis e militares.

