A Polícia Civil interditou 16 estabelecimentos nos vales do Sinos e Paranhana na manhã desta sexta-feira (5). Elas são suspeitas de operarem com dinheiro obtido pelo crime organizado, através de uma organização especializada em tráfico de drogas, homicídios e extorsões. São cumpridos 29 mandados de prisão preventiva em oito cidades gaúchas: Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Taquara, Novo Hamburgo, Campo Bom, Portão, São Sebastião do Caí e Montenegro.
A investigação identificou empresas que atuam na venda de joias e roupas femininas, além da prestação de serviços, em sua maioria voltada para o público feminino. Os nomes dos negócios não foram divulgados. Até o momento, 16 pessoas foram presas na Operação Dívida Ativa 2, que conta com 145 policiais envolvidos.
— É uma tentativa de não só asfixiar financeiramente a organização criminosa, mas fazer com que essas empresas suspeitas tenham as suas atividades suspensas para que se verifique realmente se elas fazem parte dessa organização criminosa, se os empresários vinculados a essas empresas são laranjas dessa organização criminosa e se o dinheiro que circula por essas empresas é objeto das ações criminais e, portanto, dinheiro sujo — explica o delegado Max Otto Ritter, diretor da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
Os alvos da operação ostentam uma vida luxuosa, com imóveis e carros de alto padrão. Um dos membros da organização teria passado a lua de mel em Dubai por 15 dias, utilizando dinheiro oriundo do crime.
— As suspeitas vão no sentido de que esta festa de casamento e esta viagem patrocinada, digamos assim, pelo crime para Dubai seja produto da atuação da organização criminosa e dos graves crimes por ela cometidos — complementa Ritter.
Entre os presos também está uma advogada. Segundo a investigação, ela era responsável por fazer a defesa de diversos membros da organização criminosa, mas também atuava diretamente com o grupo. A Polícia Civil não divulgou o nome dela, mas a reportagem apurou que se trata de Ritiele Rocha. A defesa dela foi contatada, mas não retornou até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto.
Líder dentro da cadeia
A reportagem apurou que a organização é liderada por Diogo Henrique Martins, conhecido como DG. Ele foi preso em São Paulo (SP) em janeiro de 2024 e, neste momento, está na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro, no Vale do Caí.
A partir da prisão, a polícia descobriu que Martins comandava todo o fluxo de operações da organização de dentro da cadeia.
— Ele, mesmo preso, coordenava a utilização, por exemplo, do fluxo financeiro desta organização criminosa por meio de determinadas contas bancárias e de indivíduos que respondiam às suas ordens. É como se ele estivesse solto — diz o delegado.





