
Dois homens foram condenados pela morte de Júlia de Mello, 17 anos, em fevereiro de 2021, em Canoas, na Região Metropolitana. Eles também foram responsabilizados por tentar matar a amiga da vítima na mesma ocorrência, registrada no bairro Guajuviras.
O ex-namorado de Júlia, Richard Campanel da Silva Staziacki, 24, foi condenado a 51 anos de prisão por efetuar os tiros que causaram a morte da adolescente. Segundo o Ministério Público, ele cometeu o crime por ciúmes e por não aceitar o fim do relacionamento.
Já William Amarildo Antonio Gomes, 23, recebeu uma pena de 46 anos de reclusão por tentar matar a amiga da vítima. Para o Ministério Público, ele atirou na grávida para eliminar a testemunha do fato. A mulher foi atingida com disparos no tórax, no antebraço e na coxa.
O terceiro réu foi absolvido no julgamento.
Os homens foram condenados pelo feminicídio da adolescente, com as qualificadoras de recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo torpe, além de tentativa de homicídio qualificado contra a jovem grávida – também com recurso que dificultou a defesa e para assegurar a ocultação do primeiro crime.
A sentença foi proferida pelo juiz Bruno Barcellos de Almeida, da 1ª Vara Criminal de Canoas, na terça-feira (11). Ele determinou a imediata execução da pena em regime fechado.
Na sentença, Almeida destacou a gravidade dos fatos e o emprego de "violência extrema" contra as duas mulheres em um contexto de violência doméstica. O magistrado também comentou sobre os reflexos do crime para a família da vítima. “As consequências extrapolam o tipo penal, porquanto tendo sido ceifada a vida da adolescente, sua mãe foi privada de forma precoce da convivência com a filha e de todos os momentos que poderiam ter vivenciado em conjunto, havendo a inversão da ordem natural da vida”, salientou.
O que dizem as defesas dos réus
Na quinta-feira (13), a equipe de defesa de William Amarildo Antonio Gomes enviou a seguinte nota à reportagem:
"As advogadas dativas que atuaram na defesa de William Amarildo Antonio Gomes — Dra. Julia Monteiro, Dra. Giselle Dias e Dra. Karinne Bennech — manifestam respeito à decisão soberana do Conselho de Sentença proferida no julgamento. Entretanto, a Defesa entende que a pena aplicada foi desproporcional às circunstâncias do caso, motivo pelo qual será interposto o recurso cabível."
As advogadas Natália Miranda e Mariana Beduhn, da defesa de Richard Campanel da Silva Staziacki, enviaram o seguinte posicionamento sobre o júri:
"A defesa de Richard esclarece que ele se manteve confesso desde a fase policial. No plenário, o único ponto debatido foi a incidência das qualificadoras.
Respeitamos o veredicto do Conselho de Sentença e informamos que o eventual recurso a ser interposto tratará da pena aplicada, por entendermos que essa parte da decisão pode ser revista."


