
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) enviou nesta quarta-feira (12) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório parcial da investigação sobre as mortes de 121 pessoas na megaoperação realizada no dia 28 de outubro, no Rio de Janeiro. A Operação Contenção aconteceu nos complexos do Alemão e da Penha, tendo a organização criminosa Comando Vermelho (CV) como alvo.
O relatório apontou duas mortes que foram consideradas atípicas em operações desse nível.
Após acompanhar o trabalho de perícia dos 121 corpos, o MP encontrou “lesões atípicas” em dois cadáveres. Um deles apresentou marcas de tiros à curta distância. O segundo corpo estava decapitado por instrumento cortante.
O caso de decapitação é de Yago Ravel Rodrigues Rosário, de 19 anos. O corpo do jovem foi encontrado em uma região de mata e a cabeça estava pendurada entre dois galhos de uma árvores, conforme a Folha de S. Paulo. A Promotoria sugere, no documento, "análise minuciosa das imagens das câmeras corporais" dos agentes presentes na operação e do ambiente onde aconteceu o confronto.
Outros corpos estavam com lesões internas e externas, provocadas por tiros de fuzil. A maioria das lesões estava localizada na região do tórax e do abdômen, características de confrontos armados, segundo os promotores.
O relatório ainda confirmou que todos os mortos eram homens, na faixa etária entre 20 e 30 anos. Alguns acusados estavam usando roupas camufladas, botas operacionais, coletes com carregadores de munição e luvas táticas. Nos bolsos das roupas foram encontradas munições, celulares e “erva prensada”.
"A maioria dos corpos exibia múltiplas tatuagens, algumas sabidamente referentes a facções criminosas e ao extermínio de policiais”, acrescentou o relatório.
O ministro Alexandre de Morares prorrogou nesta quarta o prazo para o governo do Rio apresentar informações e documentos relativos à megaoperação. O limite terminaria nesta quarta-feira, mas agora vai até a próxima segunda-feira. A informação é do O Globo.




