
Um homem afirma ter perdido cerca de R$ 40 mil em um golpe praticado por uma revenda de motos em Porto Alegre. Ele é uma das sete vítimas que já procuraram a Polícia Civil nos últimos três dias alegando terem sido lesadas pela loja Iron Motorcycles. Os proprietários não foram localizados para se manifestarem sobre a investigação.
A empresa é suspeita de ficar com o dinheiro de vendas sob consignação –que é quando o proprietário entrega o veículo à loja para que ela encontre um comprador. No caso dessa pessoa, que não será identificada, a própria empresa teria o procurado após ela ter anunciado sua moto em um site de vendas.
Ele chegou a ir até a loja física, no bairro São Geraldo, e concordou em entregar a moto para os revendedores, tendo que repassar uma taxa de 6% sobre a venda.
— Era uma loja com muitas motos, chuto por baixo pelo menos umas 50. Tinha uma oficina funcionando, motos na bancada, mecânicos trabalhando, vendedores trabalhando também. Realmente parecia ser uma loja legítima, correta — conta.
Cerca de uma semana depois ele recebeu contato da Iron, afirmando que haviam encontrado um comprador, e solicitaram uma procuração para efetuar a venda. Foi então que, segundo ele, o golpe entrou em curso.
— Enviaram a documentação do suposto comprador e aí, depois de poucos dias, através do aplicativo carteira digital, eu vi que a minha moto foi transferida, entrei em contato com eles para falar sobre o pagamento, obter mais detalhes de quando eles me pagariam e aí eles não me responderam mais. Isso era final de um dia, final de uma segunda-feira. Então eu fui fisicamente até a loja e aí foi onde eu tive certeza que eu tinha sido vítima de um golpe, a loja tava fechada.
Em frente ao local, já sem placas de identificação, ele encontrou outras pessoas que relataram ter sofrido algo semelhante. Ele conta que os tipos de golpe relatados por outros clientes eram diferentes do seu:
— Das vítimas que eu conheci, eu pude identificar aí pelo menos umas três, quatro modalidades diferentes de fraude. Situações onde eles realmente venderam a moto para outra pessoa, outra situação em que não pagaram o proprietário.
A vítima afirma que, ao não receber o valor da moto, deixou de lucrar R$ 40 mil.
— Pode parecer pouco, mas para mim é muito. Eu justamente estava vendendo a moto para cobrir dívidas que eu tenho. Então a minha dívida agora só aumentou. É um sentimento de impotência, um sentimento de ter sido trapaceado, de ter de ter confiado em alguém e ter tido a confiança quebrada — conclui.
Um inquérito foi instaurado na última quarta-feira (12) pela 17ª Delegacia de Polícia Civil, através do delegado Daniel Ordahí.
Um casal é o responsável pela empresa. Eles ainda não foram localizados. Zero Hora busca contato com a defesa dos investigados; o espaço está aberto para manifestação.




