
A Polícia Civil deflagrou na manhã desta sexta-feira (17) uma operação que busca desmantelar uma quadrilha que aplicou o chamado golpe dos nudes contra um agente público do Rio Grande do Sul. O esquema de extorsão sexual digital ocasionou prejuízos de aproximadamente R$ 30 mil à vítima.
Equipes do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos cumpriram três mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão, em Charqueadas, na Região Metropolitana, e Pinhal, no Litoral Norte.
Entre os alvos da ação, estão dois detentos da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, assim como a companheira de um deles.
Como foi aplicado o golpe
A investigação sobre o caso teve início em setembro, após a vítima procurar a polícia para relatar que estava sendo alvo de extorsão há pelo menos dois meses. A Polícia Civil verificou que o golpe começou a partir de uma troca de mensagens em rede social.
Inicialmente, um dos golpistas entrou em contato com a vítima, identificando-se como moradora da mesma região que ele. Entre as conversas, os golpistas ganharam a confiança da vítima e passaram a pedir auxílios financeiros. O primeiro pedido, de cerca de R$ 2 mil, foi sob o pretexto de custear os estudos no curso de Direito.
Depois do depósito inicial, as solicitações se tornaram recorrentes, sempre com justificativas relacionadas a despesas com moradia, móveis e outras necessidades. Ao longo de semanas, a vítima realizou diversas transferências via Pix.
Segundo a investigação, a conversa evoluiu, com troca de imagens de nudez. Após a vítima ter compartilhado as fotos íntimas, os criminosos mudaram a estratégia e passaram a extorquir o agente público, alegando que a mulher com quem ele conversava era menor de idade. Por isso, caso ele não realizasse pagamentos, levariam o caso à policia e exporiam a situação publicamente.
Apesar de a polícia não divulgar informações sobre a vítima para preservá-la, confirmou que se trata de um agente público gaúcho, com mais de 50 anos. A investigação também indicou que pelo menos três pessoas estariam envolvidas no golpe. Segundo a polícia, os três suspeitos operavam as contas nas redes sociais, assim como telefones, para a fraude.
De dentro da cadeia
Provas colhidas pela Polícia Civil apontam que o golpe era coordenado por um detento da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, juntamente com a companheira dele de 21 anos e outro detento de 39. O homem de 25 anos tem antecedentes por crimes como roubo, latrocínio, tráfico de drogas e homicídio.
O outro aprisionado tem no histórico criminal crimes como homicídio, furto, receptação, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. A mulher envolvida, que teria enviado fotos íntimas, não tinha antecedentes.
O departamento policial rastreou pistas digitais em aparelhos usados pela quadrilha para a aplicação do golpe. Foi descoberto que um mesmo aparelho chegou a ter centenas de linhas telefônicas distintas associadas a ele. Além disso, os golpistas usavam dados de terceiros para ficar no anonimato e conseguir registrar linhas telefônicas, contas bancárias e e-mails.
Evite cair em golpes
Conforme o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do departamento, o golpe dos nudes é uma fraude bastante aplicada no Rio Grande do Sul.
Geralmente, o esquema começa com o contato realizado por um desconhecido, por meio das redes sociais. Aos poucos, o golpista tenta estabelecer uma relação de confiança com a vítima. Depois, passa a enviar fotos íntimas.
As conversas, então, costumam evoluir para ameaças e extorsão. Normalmente, os golpistas afirmam que vão expor as conversas trocadas para familiares ou autoridades — quando afirmam que as fotos são de menores de idade.
Para evitar ser vítima de golpes como este, o delegado forneceu algumas dicas.
Dicas
- Não estabeleça relações de confiança pela internet com pessoas desconhecidas
- Não compartilhe imagens próprias com pessoas que você conhece apenas pela internet
- Nunca realize transferências de valores sem antes confirmar a procedência da solicitação
- Não realize pagamentos em caso de ameaça ou extorsão. Historicamente, os pagamentos realizados não interrompem a prática das extorsões. Pelo contrário, alimentam a expectativa dos criminosos de seguir recebendo valores
- Documente os dados do contato recebido, como número de telefone, e-mail e perfil de rede social
- Procure a Polícia Civil para registrar o fato


