
Desde o começo da manhã desta quarta-feira (29), moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, estão trazendo corpos que estavam em áreas de mata até a Praça São Lucas, no centro do bairro, para que as autoridades consigam fazer a retirada e levar até o Instituto Médico Legal (IML). Essas pessoas teriam sido mortas durante a megaoperação realizada na terça-feira (28), a mais letal da história do Rio de Janeiro.
A informação repassada pela Polícia Militar é de que houve um reforço de 40% do efetivo, que foi colocado à disposição. A reportagem de GZH, porém, não identificou agentes nem da Polícia Civil, nem da Militar na região para onde estão sendo trazidos os corpos.
O trabalho de remoção é feito pelo Corpo de Bombeiros e agentes da Defesa Civil. Conforme última atualização, mais de 60 corpos foram levados à praça, encontrados em uma área onde houve confronto entre criminosos e policiais. Estima-se em 150 o número total de cadáveres a serem retirados do local, conforme fonte da prefeitura.
Não há informação de ruas e vias bloqueadas, nem de ônibus que tenham sido barrados. O funcionamento do transporte público está ocorrendo em toda a cidade.
Operação mais letal da história
A megaoperação realizada contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão foi considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Pelo menos 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro foram às ruas para cumprir cem mandados de prisão. Criminosos reagiram com tiros e barricadas em chamas.
Guerra no Rio de Janeiro: o combate ao crime organizado
Ainda em retaliação, segundo a Polícia Civil, eles lançaram bombas com o auxílio de drones e fugiram pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à registrada em 2010, quando o Complexo do Alemão foi ocupado.
Uma mulher foi feita de refém por 26 criminosos na Vila Cruzeiro, na zona norte da capital fluminense. Na casa onde eles estavam, foram encontrados 19 fuzis. Um dos criminosos foi morto e os outros 25, presos. Na mesma região, foram apreendidos 200 quilos de maconha.
No total, 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos. Além dos 64 mortos, pela contagem oficial, pelo menos 15 policiais ficaram feridos.
Entenda, ponto a ponto, os números da megaoperação do Rio de Janeiro:
- O governo havia informado, em balanço divulgado na terça-feira (28), que havia 64 mortos, sendo que quatro eram policiais civis e militares
- Na manhã desta quarta (29), o governador Cláudio Castro confirmou em coletiva 58 mortos: desses, 54 eram criminosos e quatro policiais. Castro não esclareceu por que o número do balanço de terça foi alterado
- Já a cúpula da segurança do RJ e do governo do Estado afirmam que são 121 mortos: quatro policiais e 117 suspeitos
- Moradores afirmam ter encontrado 74 mortos na mata. Os corpos foram levados para uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em "63 corpos achados na mata"
- Haverá uma perícia para ver se há relação entre essas mortes e a operação
- Sobre as prisões, o delegado Felipe Curi disse que foram 113 presos, sendo 33 de outros Estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco











