
A Polícia Civil prendeu na manhã desta sexta-feira (3) um ex-funcionário suspeito de desviar mais de R$ 35 milhões da CEEE Equatorial. Segundo a investigação, o homem ocupava o cargo de engenheiro de distribuição e foi contratado em 2023.
A polícia não divulgou o nome do preso, mas a reportagem apurou que é Jean Marcel Cantarelli Kessler, 42 anos. Ele foi detido preventivamente na casa onde mora em Estância Velha, no Vale do Sinos.
Uma auditoria interna constatou que ele usou o próprio acesso ao sistema da companhia para manipular dados cadastrais e requisições de compras e serviços. O objetivo era direcionar pagamentos fraudulentos para uma empresa que pertence a ele.
— Ele verificou uma vulnerabilidade no sistema. Lançava notas fiscais de projetos de gastos, de investimentos aprovados, trocava por notas fiscais da sua empresa e dava um comando no sistema para que o pagamento fosse para a própria empresa. Depois, o dinheiro ia para as contas pessoais dele — resumiu o delegado Juliano Ferreira, da 8ª Delegacia de Polícia Civil (8ª DP) da Capital, que investiga o crime.
A auditoria da CEEE Equatorial apontou desvio superior a R$ 35 milhões, dos quais R$ 18,2 milhões já estão comprovados nos documentos analisados. No entanto, há outras apurações em andamento que podem elevar o montante.
— Informalmente, ele confirmou o desvio, dizendo que fez isso por desgosto da empresa, ao ser promovido e não receber o aumento adequado. De uma hora para outra, começou a desviar. Quando chegou ao valor considerado suficiente, pediu demissão. Pela conversa que tivemos com ele na viatura, acreditamos que pode superar R$ 50 milhões (o valor desviado) — acrescentou Ferreira.
Aos agentes, Kessler disse que começou a fraude em dezembro de 2024 e seguiu com a prática até agosto deste ano, quando pediu demissão, porque não queria ser preso durante o trabalho.
Na chegada à delegacia após a prisão, ele deu respostas evasivas sobre a autoria.
— A vida é minha, eu faço o que quiser, não tenho que dar explicação para ninguém. Não me declaro nada — disse ao ser questionado se se declarava inocente da acusação.
Destino do dinheiro
Conforme a investigação, com o dinheiro, o homem comprou um veículo e um chassi de um carro de Fórmula 1, encontrado pelos policiais na sala da casa dele — a peça teria custado R$ 100 mil. Ele também fez uma viagem para a Argentina e alegou ter perdido dinheiro com operações na bolsa de valores brasileira.
Segundo o delegado, o homem é investigado por furto qualificado e lavagem de dinheiro. Também será verificado se houve a participação de mais pessoas no esquema, o que resultaria em um indiciamento por associação criminosa. O preso não tinha antecedentes criminais.
A 8ª DP pediu o bloqueio das contas de Kessler e continuará o rastreio dos valores para a identificação do destino do dinheiro. No momento da prisão, o engenheiro não tinha advogado. Zero Hora tenta localizar a defesa dele.
A CEEE Equatorial se manifestou por meio de nota. Confira seguir:
"A CEEE Equatorial esclarece que, por meio de seu sistema de controles internos, Compliance e de Prevenção a Fraudes, identificou indícios de conduta irregular praticada por um ex-colaborador da companhia. A empresa instaurou imediatamente processo de auditoria interna e acionou as autoridades policiais competentes para a investigação dos fatos e recuperação da totalidade dos recursos desviados.
A CEEE Equatorial não compactua com qualquer tipo de desvio e mantém rigorosos processos de compliance para identificar e punir casos semelhantes. A companhia reforça que investe fortemente em tecnologia para proteção e segurança de seus sistemas informatizados, com confiabilidade para todos.
A companhia reitera ainda que segue colaborando integralmente com as autoridades e reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a integridade em todas as suas operações."


