
O hacker alvo da Operação Invasor, desencadeada nesta quinta-feira (2), utilizou dados da mesma juíza federal ao menos 40 vezes. A investigação aponta para um esquema em que informações obtidas ilegalmente auxiliavam comerciantes a vender um carro que estava com restrição judicial.
Segundo a delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, um hacker invadiu a conta gov.br de uma juíza federal de São Paulo e usou a senha dela em diferentes ocasiões para cometer fraudes judiciais e golpes em várias regiões do país.
Esses dados eram oferecidos a golpistas. Foi o caso de um comerciante preso na operação, que desejava retirar a restrição para concluir a venda do veículo, um Honda Civic.
— A gente sabe que ele (comerciante) quis de forma rápida levantar essa restrição para poder comercializar esse veículo e aí ele buscou da forma mais ilícita possível, que foi por meio desse contato, via um aplicativo de mensagem, fazer o levantamento de forma fraudulenta — afirma a delegada.
O alvo era especializado em acessar contas de magistrados e publicava anúncios oferecendo o serviço de retirada do sistema Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores (Renajud), do Conselho Nacional de Justiça, usado para comunicar aos departamentos de trânsito a situação judicial de um veículo.
Recentemente, o hacker foi preso pela Polícia Civil de Santa Catarina por prática semelhante, quando usou informações de um juiz do Estado vizinho. Ele foi detido em Canoas, onde estava morando, e está detido desde então na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan).
Carro vendido em rifa ilegal
Segundo a investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, o objetivo principal da fraude era burlar o sistema judiciário para possibilitar a venda de um Honda Civic que estava sob restrição judicial. Após o bloqueio ser retirado, o comerciante repassou o veículo para uma revenda de Dois Irmãos, no Vale do Sinos. A apuração apontou que o carro chegou a ser adquirido pelo valor de R$ 77,9 mil por um morador de Caxias do Sul.
O Civic havia sido apreendido em agosto do ano passado, no âmbito de uma operação contra rifas ilegais realizadas por influenciadores digitais. A mulher que ganhou o veículo em uma dessas rifas vendeu o automóvel a um comerciante. A restrição judicial foi determinada após a negociação.
Além do hacker, que já estava recolhido no sistema prisional, e do intermediário, três pessoas ligadas à revendedora também foram presas. A operação foi realizada em cinco municípios gaúchos: Canoas, Dois Irmãos, Portão, Rolante e Sapiranga.
