
Dez criminosos apontados como integrantes da cúpula do Comando Vermelho (CV) foram transferidos, na noite da última terça-feira (28), do presídio de Bangu 3 para Bangu 1, unidade de segurança máxima do sistema prisional do Rio de Janeiro (veja abaixo quem são eles).
A decisão foi tomada após uma série de retaliações do tráfico, com bloqueios e barricadas em diferentes regiões da capital fluminense e da Região Metropolitana, em função da Operação Contenção, que, na terça-feira deixou ao menos 64 mortos, sendo 60 suspeitos e quatro policiais — essa ação é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.
De acordo com o governo do Rio, o grupo é suspeito de ter ordenado, de dentro das cadeias, os atos criminosos registrados após a operação.
Nesta quarta-feira (29), mais de 50 corpos foram levados por moradores do Complexo da Penha para a Praça São Lucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada. A princípio, esses cadáveres não fazem parte da contagem oficial.
O governo do Rio convocou uma coletiva de imprensa para as 11h30min desta quarta para detalhar os resultados da operação e outras medidas de segurança adotadas após os ataques.
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Cúpula será transferida para presídios federais
A transferência para Bangu 1 é provisória. O governo do Rio solicitou ao Ministério da Justiça o envio dos detentos para presídios federais, medida que foi aceita ainda na noite de terça-feira.
A proposta é que os líderes sejam distribuídos em diferentes unidades, o que, segundo as autoridades, dificultaria a comunicação e o comando de ações criminosas a partir do sistema penitenciário estadual.
Entre os presos está Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, considerado um dos principais chefes do CV.
Também foram levados a Bangu 1:
- Wagner Teixeira Carlos (Waguinho de Cabo Frio)
- Rian Maurício Tavares Mota (Da Marinha)
- Roberto de Souza Brito (Irmão Metralha)
- Arnaldo da Silva Dias (Naldinho)
- Alexander de Jesus Carlos (Choque / Coroa)
- Leonardo Farinazzo Pampuri (Léo Barrão)
- Fabrício de Melo de Jesus (Bichinho)
- Carlos Vinícius Lirio da Silva (Cabeça do Sabão)
- Eliezer Miranda Joaquim (Criam)
Operação mais letal do Rio
A operação que motivou as retaliações foi deflagrada na terça-feira (28) nas zonas norte e metropolitana da capital fluminense, com o objetivo de prender lideranças do Comando Vermelho e conter a expansão da facção. Durante os confrontos, 64 pessoas morreram, segundo balanço oficial, incluindo quatro policiais.
De acordo com balanço do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF), divulgado pelo g1, a operação desta terça ultrapassa o número somado de óbitos de outras duas grandes ações realizadas na cidade do Rio: Jacarezinho, em maio de 2021, com 28 mortes, e na Vila Cruzeiro, em maio de 2022, com 24 óbitos.
Confira o balanço completo
- Complexo do Alemão e Complexo da Penha: 64 mortos
- Jacarezinho (maio de 2021): 28 mortos
- Vila Cruzeiro (maio de 2022): 24 mortos
- Complexo do Alemão (junho de 2007): 19 mortos
- Senador Camará (janeiro de 2003): 15 mortos
- Fallet/Fogueteiro (fevereiro de 2019): 15 mortos
- Complexo do Alemão (julho de 1994): 14 mortos
- Complexo do Alemão (maio de 1995): 13 mortos
- Morro do Vidigal (julho de 2006): 13 mortos
- Catumbi (abril de 2007): 13 mortos
- Complexo do Alemão (agosto de 2004): 12 mortos
Prisões e apreensões
A Secretaria de Segurança informou que 81 pessoas foram presas e 93 fuzis apreendidos. Em uma casa na Vila Cruzeiro, 26 criminosos mantiveram uma mulher refém; todos foram presos após a libertação da vítima. Também foram recolhidos 200 quilos de maconha na região.
Além das mortes e prisões, 15 policiais ficaram feridos. A operação resultou em cenas de confronto intenso e uso de drones por traficantes para lançar artefatos explosivos, segundo a Polícia Civil.












