Ao menos 74 corpos foram levados por moradores do Complexo da Penha para a Praça São Lucas, uma das principais da região, ao longo da madrugada desta quarta-feira (29). Essas pessoas teriam sido mortas durante a operação realizada na terça-feira (28), a mais letal da história do Rio de Janeiro.
O governo do Rio de Janeiro havia confirmado na terça-feira a morte de 64 pessoas durante essa nova fase da Operação Contenção, sendo quatro policiais. Na manha desta quarta, no entanto, o governador do Estado, Cláudio Castro, afirmou que são contabilizadas 58 mortes. Já segundo a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, são mais de 130 mortos ao todo (leia mais abaixo).
Os corpos estavam em uma área de mata, onde houve confronto entre traficantes e policiais. Por volta das 7h40min, caminhonetes da Defesa Civil estadual chegaram para recolher os restos mortais e levá-los ao Instituto Médico Legal (IML). A remoção foi concluída por volta das 11h.
Guerra no Rio de Janeiro: o combate ao crime organizado
Autoridades se manifestam
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro concedeu uma entrevista coletiva pouco antes das 11h desta quarta-feira. Segundo ele, somente os policiais podem ser considerados vítimas:
— Não creio que tivesse alguém passeando na mata em um dia de conflito. E, por isso, a gente pode tranquilamente classificar.
A opinião foi reforçada pelo chefe da Polícia Civil no Estado, delegado Felipe Curi, em outra coletiva de imprensa realizada no início da tarde. Juntamente com o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, e o chefe da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, as autoridades divulgaram um balanço sobre a operação.
— A alta letalidade que se verificou durante a operação, ela era previsível, mas obviamente não era desejada — declarou Santos na ocasião.
Além dos corpos na praça, na manhã desta quarta-feira, moradores levaram de kombi outros seis cadáveres ao Hospital Estadual Getúlio Vargas. De acordo com o g1, o veículo chegou em alta velocidade e deixou o local rapidamente.
Entenda, ponto a ponto, os números da megaoperação do Rio de Janeiro:
- O governo havia informado, em balanço divulgado na terça-feira (28), que havia 64 mortos, sendo que quatro eram policiais civis e militares
- Na manhã desta quarta (29), o governador Cláudio Castro confirmou em coletiva 58 mortos: desses, 54 eram criminosos e quatro policiais. Castro não esclareceu por que o número do balanço de terça foi alterado
- Já a cúpula da segurança do RJ e do governo do Estado afirmam que são 121 mortos: quatro policiais e 117 suspeitos
- Moradores afirmam ter encontrado 74 mortos na mata. Os corpos foram levados para uma praça na Penha. Secretário da Polícia Civil fala em "63 corpos achados na mata"
- Haverá uma perícia para ver se há relação entre essas mortes e a operação
- Sobre as prisões, o delegado Felipe Curi disse que foram 113 presos, sendo 33 de outros Estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco
Operação mais letal da história
A megaoperação realizada contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão foi considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. Pelo menos 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro foram às ruas para cumprir cem mandados de prisão. Criminosos reagiram com tiros e barricadas em chamas.
Ainda em retaliação, segundo a Polícia Civil, eles lançaram bombas com o auxílio de drones e fugiram pela parte alta da comunidade, em uma cena semelhante à registrada em 2010, quando o Complexo do Alemão foi ocupado.
Uma mulher foi feita de refém por 26 criminosos na Vila Cruzeiro, na zona norte da capital fluminense. Na casa onde eles estavam, foram encontrados 19 fuzis. Um dos criminosos foi morto e os outros 25, presos. Na mesma região, foram apreendidos 200 quilos de maconha.
Em entrevista coletiva, Cláudio Castro afirmou que, de vítimas, a ação deixou apenas os quatro policiais.













