
Preso preventivamente desde a semana passada suspeito de matar e esquartejar a namorada em Porto Alegre, o publicitário Ricardo Jardim, 66 anos, prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (10). A oitiva foi encerrada pouco depois das 19h.
Conforme o delegado Mario Souza, diretor do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as declarações ainda precisam ser analisadas pelos policiais e podem redundar em novas diligências para a investigação do caso. O conteúdo do depoimento não foi revelado.
— Temos de fazer a avaliação para, posteriormente, trazer a público novas informações — disse Souza.
Conforme a investigação, Jardim era namorado da manicure Brasília Costa, de 65 anos, conhecida como Bia, que foi morta e esquartejada em uma pousada na Zona Norte da Capital.
A causa da morte da vítima ainda deverá ser apontada pela perícia. Na segunda-feira (9), um exame de DNA realizado pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) confirmou que outras partes humanas encontradas no último fim de semana no Guaíba são de Brasilia.
O caso
A vítima teve o corpo esquartejado e espalhado por diferentes áreas de Porto Alegre. O tronco foi localizado dentro de uma mala deixada no guarda-volumes da rodoviária. O caso foi descoberto no dia 1º de setembro, após funcionários do guarda-volumes sentirem mal cheiro e abrirem a mala.
Outros fragmentos do corpo (partes das pernas e braços) foram encontrados em 13 de agosto, em sacos plásticos, no bairro Santo Antônio. No último fim de semana, as outras partes foram localizadas no Guaíba, em dois momentos: no sábado, na praia de Ipanema, e no domingo, no Pontal.
Após ser preso pela equipe do Departamento de Homicídios, Jardim chegou a admitir aos policiais ter esquartejado a vítima, mas alegou que a namorada sofreu um mal súbito. No entanto, a polícia trata o caso como feminicídio, com motivação financeira.
O crânio da vítima ainda não foi localizado pela polícia. Aos policiais, Jardim disse ter depositado a cabeça da mulher numa lixeira perto da Usina do Gasômetro.
Em 2015, o publicitário havia sido preso por matar e concretar a própria mãe dentro do apartamento onde ela morava, em Porto Alegre. Em 2018, ele foi condenado a 28 anos de prisão, mas progrediu de regime no ano passado, e, quando aconteceu o crime, estava foragido.
*Colaborou Letícia Mendes



