A polícia prendeu na noite de quinta-feira (4) o homem suspeito de ter deixado a mala com o tórax de uma mulher no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre. A mala estava bem lacrada. Na ocasião, disse que outra pessoa buscaria a bagagem, deixou um contato e se foi. O procedimento é rotineiro no setor, dizem funcionários.
Mas desta vez, o esperado não se confirmou. Ninguém buscou o objeto, nem houve resposta no contato deixado. A mala começou a exalar cheiro forte. Os trabalhadores pensaram que poderia haver comida estragada dentro dela e levaram-na, na manhã de segunda-feira (1º), a uma área externa, para descarte, mas antes resolveram abri-la.
— A gente foi abrindo a mala, estava tudo envolto dentro de sacos pretos, plásticos. A gente pegou uma faca, luva, foi abrindo, abrindo, o cheiro saindo. A gente viu que era uma parte de uma barriga, só aparecia a barriga — contou o supervisor do setor de guarda-volumes da rodoviária, Henrique Rodrigues.
O que estava dentro da mala era o tronco de uma mulher adulta. A polícia foi acionada e agora trabalha para identificá-la, bem como descobrir quem é o homem que deixou a mala no guarda-volumes.
Perguntas e respostas sobre parte de corpo encontrada na rodoviária
Quem é a mulher morta?
Ainda não se sabe. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) fará análise dos restos mortais para tentar confirmar a identidade da vítima.
O que houve com as demais partes do corpo?
O IGP confirmou, no dia 3 de setembro, a relação do tórax encontrado na rodoviária com restos mortais encontrados no bairro Santo Antônio, na zona leste de Porto Alegre, no dia 13. Na ocasião, a Brigada Militar, acionada por um morador, encontrou membros — também de uma mulher — em sacos de lixo. Neste caso, a perícia indicou tratar-se de uma mulher branca, com cerca de 50 anos, mas a identidade também não foi confirmada.
A hipótese de que se tratasse da mesma vítima nos dois casos já era investigada pela polícia. "A confirmação se deu por exame de DNA e o laudo já foi entregue à delegacia de polícia responsável pelo caso", informou o IGP.
Quem deixou a mala na rodoviária?
A polícia prendeu na quinta-feira (4), na Zona Norte, o homem suspeito de ter deixado a mala com o pedaço do corpo. A investigação partiu de imagens captadas por câmeras de segurança da rodoviária para chegar até a identificação do suspeito. Na filmagem, na hora da entrega da mala, o homem aparece usando boné, máscara cirúrgica e luvas.
Para deixar o objeto no guarda-volumes, ele teve de identificar-se e informar um contato, mas usou dados falsos, de acordo com a polícia.
— Ele deixou um nome e um CPF, que foi averiguado pela Brigada Militar e por nós e não bate com nenhuma pessoa que exista. E deixou um destinatário, o destinatário, sim, bate com uma pessoa — revela a delegada Raissa Araújo, responsável pela investigação.
Quem são os investigados
A polícia tem como principal suspeito do crime o homem que deixou a mala na rodoviária.
O homem para quem a mala foi destinada já prestou depoimento. Ele não teria qualquer relação com o suspeito, conforme informação divulgada pela polícia.
Um terceiro homem, que se relacionava com uma mulher desaparecida recentemente, chegou a ser considerado suspeito de envolvimento, mas esta hispótese perdeu força e está praticamente descartada.
Qual a motivação do crime
Ainda não se tem informação sobre o que motivou o esquartejamento, mas a investigação da Polícia Civil trabalha com a hipótese de crime em contexto íntimo, e não relacionado ao crime organizado.
— Os cortes são precisos, técnicos, algo que não se vê em casos envolvendo facções. Além disso, integrantes de facção não vão se expor em local com câmeras e tanto movimento. Tudo se encaminha para um crime de relação íntima, não de crime organizado, podendo até ser feminicídio — destacou o delegado Mario Souza.
— Pela experiência dos investigadores, está caminhando para uma situação da vítima conhecer quem organizou o assassinato — acrescentou.
Quais os próximos passos da investigação?
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, que ainda busca, alinhado ao IGP, confirmar:
- a identidade da vítima, por meio de perícia nos restos mortais; um levantamento de mulheres desaparecidas no Estado no último ano e que sejam da faixa etária a partir de 45 anos está sendo feito;
- o que motivou o esquartejamento da mulher e quando e em que circunstâncias o crime aconteceu.





