
Com início às 10h33min desta segunda-feira (29), o julgamento de Vandré Centeno do Carmo, 35 anos, e dos irmãos Alan e Jean, acusados pela morte de Cíntia Beatriz Lacerda Glunfke, 34 anos, em 7 de agosto de 2015, apresentou mudanças em relação ao que era previsto inicialmente para a sessão. A principal delas foi a dispensa dos irmãos, para serem julgados no dia 10 de dezembro deste ano.
A manhã foi então marcada pelo depoimento do homem acusado de matar, esquartejar e viajar com partes do corpo da vítima em uma mala, há 10 anos. Vandré do Carmo optou pelo silêncio parcial, respondendo apenas à Defensoria Pública e aos jurados. Ele foi ouvido por cerca de 50 minutos.
Ele confessou o crime, mas negou ter premeditado a ação. Alegou estar sob efeitos de drogas e álcool e disse que precisava de coragem para pedir o fim de relacionamento com Cíntia.
Foi coisa de momento. No dia, eu bebi para falar do fim. Ela tinha um temperamento explosivo. Eu fui aguentando e a coisa foi piorando.
VANDRÉ CENTENO DO CARMO
Réu, ao responder ao defensor público Gabriel Luiz Seifriz
Em liberdade desde novembro de 2019, Vandré, que hoje trabalha como vigia de um supermercado, mostrou-se tranquilo, mesmo ao trazer detalhes do crime. O promotor do caso, Francisco Saldanha Lauenstein, levantou uma serra elétrica e um disco metálico, e perguntou ao réu se ele tinha usado equipamento semelhante para a execução do crime. Vandré confirmou com a ressalva de que o disco era "sem dentes".

Ao longo do interrogatório, disse estar arrependido:
— Eu me arrependo muito mais por ela, pela família dela, pois é algo que vou ter que carregar para o resto da vida.
O corpo de jurados é composto por cinco mulheres e dois homens, e a sessão é presidida pela juíza Eveline Radaelli Buffon. No salão do Plenário da 2ª Vara do Júri, em Porto Alegre, onde ocorre o julgamento, os pais do réu acompanhavam a sessão, e nenhum familiar de Cíntia esteve presente.
Dispensa de réus e uma única testemunha ouvida
A dispensa dos irmãos de Vandré, Alan e Jean Centeno do Carmo, foi justificada pelo que se chama de colidência defensiva, que ocorre quando dois ou mais réus em um mesmo processo criminal apresentam teses de defesa que se contradizem entre si, ou seja, uma defesa prejudica ou anula a outra. Ambos devem ser julgados em 10 de dezembro,
Outra alteração na sessão foi a redução no número de testemunhas de defesa: das seis previstas, apenas uma foi apresentada e ouvida também pela manhã. Trata-se de um colega de trabalho de Vandré, em 2014.
O homem se limitou a dizer que ainda era amigo do réu e, que, à época do crime, não desconfiou de nenhum comportamento diferente de Vandré, com quem mantinha "uma relação amigável, normal e de trabalho".
O júri entrou em intervalo para o almoço e será retomado na parte da tarde com a fase de debates, em que defesa e acusação têm até uma hora e meia cada para manifestações.
Relembre o caso
- Cíntia Beatriz Lacerda Glufke foi morta e esquartejada em 7 de agosto de 2015.
- Segundo a denúncia, a vítima foi atraída à residência de um dos acusados sob o pretexto de um almoço. Após discussão, foi agredida e morta com golpes de marreta. O corpo foi esquartejado com serra elétrica.
- O tronco e a cabeça foram enrolados em um lençol, enterrados e cimentados no pátio em frente à casa do suspeito de ser o assassino, no bairro Rubem Berta. Pernas, pés, mãos e braços foram colocados em uma mala.
- Por volta das 19h30min do mesmo dia, câmeras de segurança da rodoviária de Porto Alegre flagraram Vandré Centeno do Carmo, amigo da vítima, embarcando para São Joaquim, em Santa Catarina, com uma mala.
- Na madrugada do sábado, 8 de agosto, ele abandonou a bagagem em um terreno baldio, a cerca de 200 metros da rodoviária do município.
- A mala foi encontrada no dia seguinte por um catador de latas.
A vítima
Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, 34 anos, era mineira de Uberaba e morava em Porto Alegre. Ela era casada havia 12 anos com o programador de informática Thomas Glufke. O casal se conheceu por meio de uma rede social da igreja mórmon.
Meses antes do assassinato, os dois estariam vivendo uma crise conjugal. No dia do crime, Thomas estava em viagem a trabalho aos EUA.
Incialmente, Cíntia tinha uma relação de amizade com Vandré. Antes de morrer, ela estava desempregada, mas antes trabalhou com ele em um hotel da capital gaúcha e foram colegas em um curso de comissário de bordo. Vandré chegou a a viajar até Uberaba para conhecer a família da amiga.
Os três réus
Vandré Centeno do Carmo
- 35 anos, amigo e ex-colega de Cíntia.
- Confessou ter matado e esquartejado a vítima.
- Será julgado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
- Foi preso no dia 21 de agosto de 2015 e está em liberdade desde novembro de 2019.
- Cumpre aplicação de medidas cautelares como comparecimento aos atos do processo e comparecimento trimestral em juízo para apresentações.
- Para a soltura foi considerado o excesso de prazo na formação da culpa.
Alan Centeno do Carmo
- 28 anos, irmão de Vandré.
- Suspeito de roubar o celular e eletrônicos da vítima e ajudar na ocultação do corpo.
- Será julgado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
- Preso no dia 27 de agosto de 2015. Está em liberdade em relação a este processo desde 3 de março de 2017.
- Cumpre aplicação de medidas cautelares como comparecimento aos atos do processo e comparecimento trimestral em juízo para apresentações.
- Para a soltura foi considerado o excesso de prazo na formação da culpa.
Jean Centeno do Carmo
- 30 anos, irmão de Vandré.
- Suspeito de roubar o celular e eletrônicos da vítima e ajudar na ocultação do corpo. Será julgado pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
- Preso no dia 27 de agosto de 2015. Está em liberdade em relação a este processo desde 3 de março de 2017.
- Cumpre aplicação de medidas cautelares como comparecimento aos atos do processo e comparecimento trimestral em juízo para apresentações.
- Para a soltura foi considerado o excesso de prazo na formação da culpa.



