
A Justiça aceitou nesta quarta-feira (4) a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) contra um ex-subcomandante da Guarda Municipal de Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Assim, o homem de 44 anos se torna réu na Justiça pelos crimes de injúria racial e religiosa.
A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público em 28 de agosto, por meio do promotor de Justiça Caio Isola de Aro. No entendimento do MPRS, o réu praticou os crimes contra seis servidores públicos.
Embora o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e o MPRS não tenham divulgado o nome do acusado, Zero Hora apurou que se trata de Marcus Vinicius Klebanowicz Alves.
Conforme o secretário de Segurança Pública de Cachoeirinha, Mauro Vargas, ele foi afastado da função que exercia e está respondendo a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Nesta etapa da apuração administrativa, testemunhas estão sendo ouvidas.
Relembre o caso
Dois guardas municipais de Cachoeirinha procuraram as autoridades, em junho, para relatar que vinham sendo alvo de discriminação racial por parte deste subcomandante.
As denúncias deram início a uma investigação da 1ª Delegacia de Polícia do município, que resultaram no indiciamento do homem por injúria racial.
À reportagem, uma das vítimas contou que os supostos episódios de preconceito racial ocorriam há pelo menos três anos e se intensificaram quando o suspeito passou a ocupar posições de chefia.
Essas práticas quase sempre eram disfarçadas de “piadas”, comentários ofensivos ou apelidos depreciativos, segundo ela.
Em um dos episódios, ocorrido em fevereiro, a vítima relata que estava na quartelaria — sala onde o armamento da corporação é guardado — conversando com um colega negro, quando o subcomandante afirmou que tinha o desejo de abolir a Lei Áurea (que formalmente extinguiu a escravidão no Brasil).
— Ele me deu um encontrão. Foi um encontrão forte, eu estava com a arma no peito, então senti dor. Ele tirou os óculos do rosto e disse: "Desculpa, não te enxerguei porque eu estou de óculos escuros". Foi como quem diz: "Tu é preta demais para eu te enxergar" — relatou a vítima sobre outra ocasião.
As ocorrências geraram marcas psicológicas, abalaram sua confiança profissional e tornaram o ambiente de trabalho emocionalmente pesado, afirmaram vítimas.
Contraponto
A reportagem entrou em contato com a defesa de Marcus Vinicius Klebanowicz Alves, que não encaminhou resposta até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestações.




