
Dois homens foram condenados pela morte de Haderson Júnior Martins Floriano, 17 anos. O adolescente morreu após ser espancado na orla do Guaíba, em Porto Alegre, em setembro de 2019. O crime ocorreu após uma briga perto da Usina do Gasômetro.
O júri da dupla começou na manhã de terça-feira (2) e terminou na madrugada desta quarta (3), na Capital.
Márcio Teles Mendes Felber, 25 anos, foi condenado a 20 anos e quatro meses e seis dias de prisão. Ygor Rodrigues Dupont, 28, recebeu uma pena de 23 anos, três meses e três dias.
Os dois foram responsabilizados por homicídio triplamente qualificado, com as seguintes qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva determinou o imediato cumprimento da pena em regime fechado e a expedição de mandado de prisão contra os réus.
Felber e Dupont foram presos pela Polícia Civil, mas, por decisão do Judiciário, responderam em liberdade ao processo.
A denúncia
O crime foi praticado após uma discussão motivada por provocações e gestos associados a grupos criminosos rivais, segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS).
A vítima foi agredida com socos, chutes, garrafadas e golpes de arma branca, mesmo após cair no chão. O crime foi cometido por mais de uma pessoa, em superioridade numérica, o que reforça a "brutalidade do ato", conforme o MP. A denúncia apontou que os acusados agiram de forma coordenada, com intenção de matar.
Em nota, o promotor de Justiça Luiz Eduardo de Oliveira Azevedo, que atuou na acusação, destacou a gravidade do caso:
"A violência empregada neste crime revela um desprezo absoluto pela vida humana. A vítima foi atacada de forma covarde, em local público e sem qualquer chance de defesa."
Relembre o caso
Haderson morava com a família no Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre. Segundo os parentes, ele trabalhava com a entrega de comida no centro da Capital. Na tarde de 29 de setembro de 2019, um domingo, ele saiu de casa e embarcou em um ônibus em direção à Orla.
Por volta das 23h daquele dia, envolveu-se numa briga nas proximidades da Usina do Gasômetro. Foi atacado a chutes, socos e garrafadas — um dos golpes perfurou o seu peito. Haderson foi encaminhado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas não resistiu aos golpes que atingiram o seu coração.
Contraponto
Sobre as condenações, a defesa de Márcio Teles Mendes Felber enviou a seguinte nota à reportagem:
"Depois de 19h em plenário, o resultado do júri entristece, mas não surpreende. Infelizmente sabemos que quando mais de um réu está sendo julgado pelo mesmo fato, ainda que - haja uma diferença entre as condutas (Márcio não foi quem esfaqueou a vítima), entre os comportamentos após o delito (Márcio se apresentou em delegacia espontaneamente) e até uma divergência jurídica entre os réus desde o início (Márcio havia sido indiciado por lesão corporal pela Polícia Civil ) - a consequência do julgamento pode ser a mesma para os dois.
E foi o que aconteceu na data de ontem e nesta madrugada. Márcio foi condenado pelo resultado que o corréu, pessoa que ele desconhecia, causou - pois o ferimento que ocasionou a morte foi gerado por Ygor.
Isso reforça o que nós do GAUER Advogadas Associadas temos refrisado constantemente: A responsabilidade do Ministério Público e do Poder Judiciário ao levar uma pessoa ao banco dos réus no júri. Porque lá, nem sempre o que é de cada um é de fato dado a cada um.
Emiliane Gauer, sócia-fundadora GAUER Advogadas Associadas"
Ygor Rodrigues Dupont foi representado pela Defensoria Pública, que disse só se manifestar sobre o assunto nos autos do processo.




