
Os nomes e as fotos de dois suspeitos de participar do assassinato do ex-delegado-geral de Ruy Ferraz Fontes foram divulgados nesta quinta-feira (18) pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.
Os homens, que estão foragidos, foram identificados como Felipe Avelino da Silva, conhecido no PCC como Masquerano, e Flávio Henrique Ferreira de Souza. Eles estão sendo procurados com mandados de prisão temporária.
À imprensa, o secretário afirmou que não há dúvidas do envolvimento do crime organizado na execução de Fontes, na última segunda-feira (15) em Praia Grande, litoral paulista. Ele disse, porém, que a motivação segue sendo investigada.
— A dúvida, e a gente não descarta as possibilidades, é se a execução foi motivada por combate ao crime organizado durante toda a carreira do delegado ou por conta da atuação atual como secretario na Praia Grande — explicou.
A delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP, disse que a polícia ainda apura quantas pessoas tiveram participação no crime e qual a participação dos dois homens na execução. A identificação deles foi por meio de reconhecimento de material genético, encontrado no segundo carro envolvido no crime e perícia no local.
Na madrugada desta quinta-feira, uma mulher foi presa suspeita de envolvimento no crime. Dahesly Oliveira Pires, 25 anos, seria namorada de um dos suspeitos e teria sido responsável por buscar um dos fuzis utilizados na execução. Fotos da arma foram encontradas no celular dela.
— Sobre quantas pessoas participaram, diretamente vocês viram, está nas imagens, mas indiretamente só com as investigações, que é a participação dessa (mulher) que já foi presa, que é pós crime – a retirada da arma do local — afirmou.
Linhas de investigação
A força-tarefa criada para investigar o assassinato de Fontes apura a ligação de um líder do PCC que deixou um presídio federal há um mês com o crime. A informação foi confirmada ao Estadão por fontes na área da segurança pública.
A investigação não descarta nenhuma possibilidade, mas trabalha com duas suspeitas principais:
- Uma reação do Primeiro Comando da Capital (PCC);
- Retaliação por sua atuação na prefeitura de Praia Grande (SP), onde era secretário de Administração.
Os investigadores acreditam que o crime possa ter elo com uma licitação, que teria prejudicado uma entidade ligada aos criminosos. Fontes era secretário municipal de Administração de Praia Grande desde 2023, em um cargo não ligado à segurança.
O crime
O ex-delegado foi perseguido pelos criminosos após sair do trabalho, na prefeitura, e colidiu contra um ônibus na tentativa de escapar dos bandidos. Conforme os investigadores, as imagens mostram que a execução foi feita por um grupo treinado.
Três criminosos saíram do carro armados com fuzis para assassinar Fontes e outro bandido ficou no automóvel, para dar retaguarda.
O veículo utilizado pelo ex-delegado-geral, um Fiat Argo preto, não era blindado. Um dos carros usados pelos criminosos foi encontrado depois, mas havia sido queimado. Uma mulher e o filho também foram atingidos durante o atentado.
