Um agente da Polícia Rodoviária Federal foi preso, na manhã desta terça-feira (9), em operação da Polícia Federal (PF) que apura fraude no recolhimento de veículos em rodovias do Rio Grande do Sul. O agente, de 50 anos, que atuava em Montenegro, no Vale do Caí, não registrava os recolhimentos das taxas no sistema do Detran-RS e em conluio com uma empresa de guincho, cobrava a retirada dos veículos diretamente dos motoristas.
Além do policial rodoviário, dois empresários, ligados a um Centro de Remoção e Depósito de Veículos (CRD), de Nova Santa Rita, que também fornecia o guincho e é credenciado ao Detran, foram presos temporariamente. Um segundo policial rodoviário é apontado como participante do esquema, mas o pedido de prisão dele não foi aceito pela Justiça e foram cumpridos apenas mandados de busca na sua residência. Um funcionário, motorista do CRD, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
Além dos três mandados de prisão temporária, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Canoas, Montenegro e Nova Santa Rita. Quatro veículos foram apreendidos e contas bancárias dos envolvidos foram bloqueadas. O agente da PRF preso foi afastado de suas funções.
1,3 mil recolhimentos não registrados no Detran
Conforme a investigação, entre os anos de 2021 e 2025, foram identificados 1.300 recolhimentos de veículos não registrados no sistema do Detran, o que teria causado um prejuízo de R$ 1 milhão aos cofres públicos. Também foi identificado que, pelo esquema, que o agente da PRF teria recebido R$ 240 mil.
Conforme o delegado da Polícia Federal Diego Gallo, as investigações prosseguem para identificar possíveis outros envolvidos.
— Vamos analisar o material apreendido para verificar se há participação de mais pessoas. O prejuízo foi todo aos cofres públicos e os valores podem aumentar.
Por nota, a PRF disse que participou da operação através da sua Corregedoria e afirmou que repudia qualquer prática que viole os princípios da ética e da legalidade. Reafirma o compromisso em coibir desvios e conduta.
Já o Detran-RS, também por nota, disse que por meio da sua Corregedoria também acompanhou a ação. Afirmou que ja determinou o bloqueio cautelar dos profissionais credenciados e do Centro de Remoção e Depósito envolvidos. Ressaltou que os profissionais que atuam nos CRD são credenciados e não são servidores do quadro da instituição.
O que diz o Detran-RS
"A respeito da operação deflagrada hoje (09), que resultou na prisão de um policial rodoviário federal, além de dois empresários vinculados a um Centro de Remoção e Depósito credenciado ao DetranRS, esclarecemos:
- O DetranRS, por meio de sua Corregedoria-Geral, colabora com a investigação, auxiliando a Polícia Federal, em atuação integrada.
- O DetranRS já determinou o bloqueio cautelar dos profissionais credenciados e do Centro de Remoção e Depósito envolvidos, com o impedimento da realização de atividades.
- Os profissionais que atuam em Centros de Remoção e Depósito são credenciados que prestam serviços na rede do DetranRS, e não servidores do quadro da instituição.
O DetranRS realiza um trabalho permanente de supervisão e fiscalização de seus credenciados e segue ativo na continuidade das investigações, em parceria com a Polícia Federal."
O que diz a PRF
"A Polícia Rodoviária Federal informa que, em conjunto com a Polícia Federal e o Detran/RS, participou de uma operação na manhã desta terça-feira, (09/09/2025), que investiga suspeitos de envolvimento com irregularidades na cobrança de remoção de veículos.
A investigação foi iniciada a partir de levantamentos conduzidos pela Corregedoria Regional da PRF no Rio Grande do Sul, que identificou indícios de atuação ilícita e repassou as informações ao Ministério Público Federal e Polícia Federal, resultando na deflagração da operação.
Na ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão, sequestro de veículos, bloqueio de contas bancárias e três prisões temporárias. Destas, uma é referente à de um servidor da PRF lotado no Rio Grande do Sul.
As outras duas prisões temporárias e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em desfavor de empresários responsáveis pelo Centro de Remoção e Depósito investigado.
A Polícia Rodoviária Federal manifesta seu repúdio a qualquer prática que viole os princípios da ética e da legalidade, reafirmando seu compromisso em coibir desvios de conduta e preservar a integridade institucional."



