
Na manhã desta terça-feira (9), uma advogada atuante na cidade de Rio Grande, no sul do Estado, foi alvo de uma operação da Polícia Civil. A investigação apurava crimes de estelionato atribuídos a suspeita que ocorriam há pelo menos um ano.
A ofensiva cumpriu mandado de busca e apreensão na residência da suspeita, em um condomínio de alto padrão no Balneário Cassino.
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita buscava seus possíveis clientes afirmando que teriam direito a indenizações e benefícios a receber. Após, obtinha documentos pessoais das vítimas e abria contas bancárias, para contratação de empréstimos e movimentações financeiras.
— Foram aprendidos dispositivos eletrônicos e documentos. A investigação iniciou a partir do relato das vítimas. Há pelo menos cinco vítimas até agora — comenta a delegada regional da Polícia Civil, Lígia Furlanetto.
As investigações apontam que uma das vítimas relatou um prejuízo de R$ 86 mil, valor relacionado a uma transferência de dívida em cartório. A suspeita teria passado o débito para o nome de um cliente, causando dano financeiro.
O modo de operação, segundo a Polícia, era sempre o mesmo: a advogada apresentava falsas promessas de indenização para convencer os clientes a fornecerem documentos que depois eram usados de forma fraudulenta para a prática dos crimes.
O mandado de busca e apreensão foi concedido pelo Poder Judiciário. A operação contou com o acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), garantindo a regularidade do procedimento em razão do envolvimento de uma profissional inscrita na instituição. As investigações seguem em andamento para identificar a extensão dos prejuízos causados e outras possíveis vítimas.
Em nota, a OAB Subseção de Rio Grande afirmou que acompanhou o cumprimento do mandado, com a atuação da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas (CDAP).
Confira a nota na íntegra:
A Ordem dos Advogados do Brasil, por intermédio de sua Subseção de Rio Grande, encontra-se a acompanhar com a devida diligência a situação noticiada, contando, inclusive, com a atuação da Comissão de Defesa, Assistência e Prerrogativas (CDAP) durante a diligência policial. Tão logo esta Subseção disponha de conhecimento integral acerca dos fatos objeto da investigação, serão adotadas todas as providências cabíveis ao caso.
A OAB/RS reitera que não coaduna com condutas dessa natureza, sendo, inclusive, a Seccional que mais aplica sanções disciplinares a seus inscritos em todo o território nacional. Ressalte-se, ainda, que, no âmbito administrativo, a advogada terá resguardado o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa perante o Tribunal de Ética e Disciplina (TED). Uma vez confirmada a veracidade dos fatos, serão aplicadas, com o devido rigor, as penalidades previstas no Estatuto da Advocacia e da OAB. — Ary Silva Júnior - Presidente da OAB Subseção Rio Grande.



