
O homem de 30 anos preso em flagrante após a Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrar 103 quilos de ouro maciço escondidos no veículo que conduzia na BR-401, em Boa Vista, em Roraima, foi identificado como Bruno Mendes de Jesus.
Avaliada em cerca de R$ 61 milhões, a carga é a maior apreensão de ouro já registrada pela PRF no Brasil. Na segunda-feira (6), agentes localizaram as barras em compartimentos ocultos de uma Toyota Hilux.
Na tarde de terça (5), o homem passou por audiência de custódia e teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça. A defesa de Bruno afirmou que o homem detido atua com atividades relacionadas à mineração e que ele estava desempregado e sofrendo com problemas financeiros.
Empresário do ramo de vestuário e acessórios
Natural de Rondônia, o suspeito tem cadastro recente na Receita Federal como empresário do ramo de vestuário e acessórios. Ele mora com a esposa e o filho de nove meses, na zona sul de Porto Velho, capital do Estado. Os dois também estavam na caminhonete no momento da abordagem.
Nas redes sociais, a mulher do suspeito atua como influenciadora digital e compartilha fotos da rotina do casal, com registros de viagens, festas e momentos em família. Já ele mantém presença discreta na internet.

Defesa cita falta de regulamentação de garimpo
Em nota, a defesa confirmou que Bruno é um comerciante do ramo de roupas e vestuário, mas que estava desempregado e enfrentava dificuldades financeiras.
"Trata-se de trabalhador que, como milhares de brasileiros, atua em atividades relacionadas ao setor mineral, que embora possam se desenvolver em áreas de tensão regulatória, são, para muitos, meio de subsistência e única alternativa de sobrevivência", afirma o advogado Smiller Carvalho.
O defensor ainda destacou que Bruno "não tem nem condição de comprar um quilo" da carga transportada, avaliada em R$ 61 milhões.
Carvalho defendeu também que o garimpo, quando regularizado, deve ser encarado como um "meio de sobrevivência" para famílias em situação de vulnerabilidade, e que a ausência de documentação adequada é o que transforma a atividade em infração administrativa ou penal.
"A defesa reafirma o seu compromisso com a luta pela dignidade de trabalhadores que buscam, no garimpo, uma alternativa de sobrevivência diante da ausência de políticas de desenvolvimento social e econômico eficazes", concluiu.
Abordagem
Durante a abordagem, Bruno demonstrou nervosismo ao ser questionado pelos agentes da PRF. A equipe identificou inconsistências na documentação apresentada e decidiu realizar uma vistoria mais detalhada no veículo. Foi então que localizou as barras de ouro escondidas — a maior parte delas estava camuflada no painel da caminhonete.
Aos policiais, o suspeito afirmou que era fiscal de obras e que havia saído de Manaus para vistoriar uma construção. No entanto, não soube informar o nome nem o endereço da obra. Já na sede da Polícia Federal, optou por permanecer em silêncio.
A Hilux, modelo 2024, não está registrada em nome de Bruno. A PRF ainda não informou quem é o proprietário do veículo.
O ouro apreendido foi encaminhado à Polícia Federal, que investiga se a carga é originada de garimpo ilegal e se tinha como destino a Venezuela e a Guiana, países que fazem fronteira com o território roraimense.




