
Após suspender as aulas da rede municipal por dois dias em razão do medo gerado pela divulgação de uma ameaça de ataque a escola, a prefeitura de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, confirmou nesta segunda-feira (11) que vai reabrir as instituições de ensino na terça-feira (12).
As escolas municipais permaneceram fechadas na sexta-feira (8) e nesta segunda por decisão da prefeitura. Já as escolas estaduais foram mantidas abertas, mas na sexta-feira, o cenário foi de salas vazias. A maior parte dos pais optou por não enviar os filhos para a aula.
Na manhã desta segunda-feira, uma reunião foi realizada pela Secretaria Municipal de Educação de Novo Hamburgo, com intuito de ouvir e dar suporte às direções das escolas, além de alinhar estratégias para a retomada das aulas.
Uma cartilha com orientações, elaborada a partir de conteúdos divulgados pelo Ministério de Educação, foi entregue aos profissionais. Durante a tarde, devem ser realizadas novas reuniões online, com coordenadores e orientadores pedagógicos das escolas.
— O guia auxilia professores a mediar informações, combater as desinformações e adaptar o acolhimento conforme a idade dos estudantes — explicou a gerente da Educação Inclusiva e Diversidade, Juliana Bohn Bernardes, que auxiliou na elaboração do material.
A cartilha, com 16 páginas, traz orientações sobre como acolher de forma tranquila e segura diferentes públicos, com foco em garantir o bem-estar emocional de alunos, professores e comunidade escolar.
— É um momento de escuta, acolhimento e orientação, para que o retorno às aulas seja tranquilo após as notícias que impactaram 24 mil alunos e toda a comunidade escolar — disse o secretário de Educação do município, André Luís da Silva.
Uma das medidas que será adotada é manter o reforço na segurança das escolas, com a presença da Brigada Militar e da Guarda Municipal. Desde sexta-feira, os policiais e agentes já vêm realizando esse trabalho nas escolas que permaneceram abertas.
Segundo o comandante da BM no Vale do Sinos, coronel Luis Felipe Neves Moreira, os policiais seguirão atuando nos arredores das instituições. Até o momento, não foi registrado nenhum incidente nas escolas do Vale do Sinos.
A rede municipal de ensino em Novo Hamburgo atende cerca de 24 mil estudantes.
Outras cidades
Estância Velha, que tinha suspendido as aulas da rede municipal na sexta-feira, reabriu todas as escolas na manhã desta segunda. Segundo o prefeito Diego Francisco, a medida foi tomada como forma de prevenção.
Na sexta-feira, as escolas estaduais do município também tiveram pouca adesão. Nesta segunda-feira, conforme o prefeito, os estudantes retornaram às salas de aula normalmente.
Os outros municípios do Vale do Sinos não chegaram a suspender as aulas, mas a BM pretende manter o reforço do policiamento na região.
Investigação em sigilo
Em relação ao suposto ataque, a prefeitura de Novo Hamburgo informou que o caso segue sob investigação das autoridades policiais. Diretor do Departamento de Polícia Metropolitana da Polícia Civil, o delegado Cristiano Alvarez informou na manhã desta segunda que a polícia "monitora todos os casos envolvendo escolas" e que "por se tratar de uma questão sensível", esse trabalho é realizado por meio da inteligência policial e que as informações são mantidas em sigilo.
Protocolo de segurança
Uma das medidas que vem sendo adotada pela Brigada Militar no Estado, para atuar de forma preventiva nesses casos, é a preparação de professores e alunos para saberem utilizar o protocolo FEL.
Esta técnica foi desenvolvida pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados. O protocolo "fugir, esconder ou lutar" oferece táticas de sobrevivência às vítimas de ataques.
Nas escolas, o treinamento ocorre ao longo de um turno, com orientações e práticas realizadas como forma de preparar os estudantes e os professores a como agirem.
— Se a gente se assusta, a gente se atrapalha. Então, o ideal é a mudança de cultura da nossa sociedade no momento em que contamos com situações como essa, de ameaças. Por isso, importamos esse conhecimento de uma comunidade que já tem expertise nesse assunto. É importante dizer que quando a gente falar em lutar, é um lutar de sobrevivência. Não vamos pregar a violência e, sim, que a pessoa se salve e salve o seu colega — afirma o coronel Neves.



