
A investigação da Operação Carbono Oculto relacionou 19 postos de combustíveis, em Goiás e São Paulo, a esquemas de lavagem de dinheiro da facção, de acordo com o g1. A ação foi deflagrada na quinta-feira (28) e é considerada a maior já realizada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Receita Federal, o grupo criminoso utilizava uma rede de mais de mil estabelecimentos para movimentar valores em espécie ou via maquininha e, depois, repassar os recursos para contas controladas pela organização.
Entre os postos citados em decisões judiciais estão:
- Sete unidades atribuídas a Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad, apontado como articulador do esquema. Entre elas, o Auto Posto Vini Show (Senador Canedo-GO), Auto Posto Dipoco (Catalão-GO), Posto Santo Antônio do Descoberto (GO), Posto Futura JK (Jataí-GO), Posto Futura Niquelândia (GO), Auto Posto Parada 85 (Goiânia) e Auto Posto da Serra (Morrinhos-GO).
- Dois postos em São Paulo, em nome de Luciane Gonçalves Brene Motta de Souza e Alexandre Motta de Souza, suspeitos de adulteração de combustível e fraudes em bombas: Auto Posto Conceição (Campinas) e Auto Posto Boulevar XV São Paulo (Praia Grande).
- Quatro unidades ligadas a Renan Cepeda Gonçalves, associado à Rede Boxter, grupo investigado por lavagem: Auto Posto Yucatan (Arujá), Auto Posto Azul do Mar (São Paulo) e os Auto Posto Hawai e Auto Posto Maragogi (Guarulhos).
- Auto Posto Texas (Catanduva-SP), em nome de Gustavo Nascimento de Oliveira, descrito como laranja do grupo.
- Auto Posto Bixiga (São Paulo), mencionado por receber metanol usado em fraudes de combustíveis.
- Auto Posto S3 Juntas (São Paulo), pertencente a Ricardo Romano, citado pela Justiça como ligado a operações de lavagem de dinheiro.
- Auto Posto S-10, de José Carlos Gonçalves, conhecido como “Alemão”, suspeito de financiar atividades do PCC.
- Auto Posto Elite de Piracicaba, formalmente registrado em nome de Pedro Furtado Gouveia Neto, também investigado e ligado ao Auto Posto Moska.
Operação
Na última quinta-feira (28), a Operação Carbono Oculto foi deflagrada por cerca de 1,4 mil agentes, em uma força-tarefa nacional para combater um esquema criminoso no setor de combustíveis, que seria comandado pela facção PCC.
A Operação Carbono Oculto cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em oito Estados brasileiros: São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A ação foi coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) — por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) — e Ministério Público Federal (MPF), com participação da Polícia Federal, da Polícia Civil e da Polícia Militar de São Paulo.
Como funcionava o esquema
Um dos principais eixos da fraude passaria pela importação irregular de metanol. De acordo com investigação, o produto que chegava ao país não era entregue aos destinatários indicados nas notas fiscais, mas desviado e transportado clandestinamente, com documentação fraudulenta.
Esta substância era utilizada para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa. De acordo com as autoridades, há mais de 300 postos de combustíveis do país que atuam nessas fraudes. O setor estima impacto ainda maior, que abrangeria 30% dos postos no Estado de São Paulo, o equivalente a 2,5 mil estabelecimentos.
Além da adulteração, a rede criminosa comprou postos de combustíveis e não pagou os proprietários. Eles ainda fizeram ameaças caso fosse efetuada qualquer tipo de cobrança.
Atuação de fintechs
A Receita Federal revelou ter identificado que ao menos 40 fundos de investimentos (multimercado e imobiliários) com patrimônio superior a R$ 30 bilhões são controlados pelo PCC. O esquema era operado diretamente da Faria Lima, avenida na cidade de São Paulo que abriga diversas empresas de investimento.