
O influenciador digital Hytalo Santos e o marido dele, Israel Nata Vicente, foram presos em São Paulo nesta sexta-feira (15). O paraibano é investigado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e Ministério Público do Trabalho (MPT) por suspeita de exploração e exposição de menores de idade nas redes sociais.
Procurado pela reportagem do g1, o advogado Sean Abib, atualmente responsável pela defesa do casal, disse que iria "tomar conhecimento" da decisão judicial. O caso de Hytalo ganhou repercussão após o vídeo do influenciador Felca sobre "adultização" de crianças e adolescentes.
— A questão da prisão foi tomada em uma esfera criminal, atendendo supostamente ao interesse da Justiça ou talvez pela postura do investigado em obstruir o trabalho que era desenvolvido — explicou o juiz titular da 1ª Vara da Infância de Juventude da Comarca de João Pessoa, Adhailton Lacet Porto, sobre a prisão preventiva.
O juiz, que falou ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, ainda reforça que o Ministério Público da Paraíba (MPPB) já trabalhava "há mais de um ano e meio" no caso, colhendo provas suficientes. O influenciador foi alvo de ordens da Justiça da Paraíba em resposta a uma ação civil pública do MPPB, além de mandados de busca e apreensão na quarta-feira (13).
Ana Maria França, promotora do MPPB, afirma que a investigação começou após denúncias de pessoas que viram as situações com menores dentro do condomínio onde Hytalo mora:
— Através do acionamento de pessoas que visualizaram, que assistiam a algumas cenas dentro de um condomínio e a partir daí nós começamos a apurar.
A promotora ainda afirmou que ações de Hytalo podem corresponder a obstrução de provas.
— No momento em que ele já sabia que estava sendo investigado, no momento em que ele sabia que já tinham ações pedindo a suspensão de suas redes, ele abre um novo Instagram. A partir do momento que ele esconde e sonega eventuais provas, aí ele está realmente obstruindo — diz.
Medidas da Justiça
Nesta semana, a Primeira Vara da Infância e Juventude de João Pessoa determinou o cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa de Hytalo, em um condomínio de Bayeux, região metropolitana de João Pessoa.
Ao chegar, a Polícia Militar encontrou o imóvel praticamente vazio. O condomínio informou que o influenciador havia retirado equipamentos eletrônicos antes da operação.
A decisão judicial também determinou que redes sociais e plataformas suspendam todos os perfis do influenciador e apaguem conteúdos com participação de crianças ou adolescentes.
Desde então, Hytalo está proibido de manter contato com os menores citados no processo e teve o acesso às redes bloqueado. Além disso, foi determinada a desmonetização dos conteúdos publicados por ele.
— E quem são essas crianças? Somente filhos de pessoas de classe média baixa, pessoas economicamente fragilizadas. E que às vezes são beneficiadas com alguma prestação pecuniária e acham que isso é uma coisa extraordinária, não sabendo o mal que estavam fazendo para seus filhos — pontua o juiz.
Suspeito nega acusações
Hytalo Santos se manifestou pela primeira vez na quinta-feira (14), após ser citado no vídeo de Felca.
"Minha trajetória pessoal e profissional sempre foi guiada pelo compromisso inabalável com a proteção de crianças e adolescentes", afirmou o influenciador ao repudiar as acusações que surgiram na internet e, segundo ele, são "infundadas".
Ele ainda afirmou que nunca ocultou ou obstruiu investigações:
"Estou em viagem a São Paulo há mais de um mês e permaneço, desde o início, à disposição das autoridades para todo e qualquer esclarecimento, confiando que a verdade prevalecerá sobre qualquer tentativa de distorção".


