
Um homem acusado de matar a ex-companheira a facadas em Encruzilhada do Sul, no Vale do Rio Pardo, foi condenado a 30 anos de reclusão em regime fechado, nesta terça-feira (5). A decisão do Tribunal do Júri da comarca local acolheu integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS).
A vítima, Karolaine Matos Geyer, 24 anos, foi assassinada na manhã de 29 de outubro de 2023, na casa onde morava com o réu, no bairro Vila Xavier.
Durante o julgamento, o réu foi condenado pelas qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, no contexto de violência doméstica.
Condenado tinha "sentimento de posse", diz MP
O promotor de Justiça Ulysses Fernandes Moraes Luz, responsável pela acusação, classificou o assassinato como um "retrato brutal da violência de gênero".
— O réu agiu com extremo ciúme e sentimento de posse, com a intenção clara de tirar a vida da vítima, ceifando seu futuro de forma covarde e cruel — afirmou o promotor.
Para ele, a condenação representa um recado importante da Justiça:
— A sentença de 30 anos de reclusão é uma mensagem clara de que crimes como este não ficarão impunes. É uma vitória da justiça e um alento para a família de Karolaine.
Na época do crime, a Polícia Civil investigava o caso como feminicídio e confirmou que, apesar da gravidade do ataque, não havia registros anteriores de ocorrência de violência doméstica envolvendo o casal.
O crime
Na manhã do dia em que foi morta, Karolaine foi encontrada ferida no quarto da residência, após vizinhos escutarem gritos e irem até o local. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia indicou que ela foi imobilizada pelo pescoço e sofreu pelo menos 18 golpes de faca.
Logo após o crime, o suspeito fugiu para uma área de mata e permaneceu foragido por cerca de oito meses. Ele foi capturado e passou a aguardar o julgamento preso preventivamente.
Segundo a investigação, o crime ocorreu no contexto de violência doméstica, enquanto o casal passava por um processo de separação. Testemunhas relataram à polícia que o homem não aceitava o fim do relacionamento.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deve ir, preferencialmente à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Defensoria Pública – Disque 0800-644-5556
- Para orientação quanto aos seus direitos e deveres, a vítima poderá procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
- Espaços de acolhimento/atendimento psicológico e social, orientação e encaminhamento jurídico à mulher em situação de violência.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende o cidadão em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Para mais informações clique neste link
