
Um caso de agressão a uma vice-diretora levou a Escola Municipal de Ensino Fundamental Morro da Cruz, na Vila São José, na zona leste de Porto Alegre, a decidir suspender as aulas nesta quarta-feira (13). O episódio envolveu uma estudante adolescente e a mãe dela. A instituição atende cerca de 1,1 mil alunos até o 9º ano do Ensino Fundamental.
Na tarde de terça-feira (12), segundo relatos de professores da instituição, a vice-diretora teria sido agredida com um tapa no rosto no pátio da escola. Isso teria acontecido após um desentendimento envolvendo a aluna.
— A vice-diretora da escola foi atacada por uma estudante da nossa escola, que estava se recusando a ir para a aula dela, e aí ela enfrentou a vice-diretora e a direção chamou a Guarda Municipal e a menina chamou a sua mãe. Quando a mãe da menina chegou, essa mãe também deu um tapa no rosto da diretora — detalhou uma professora.
A Patrulha Escolar da Brigada Militar também foi acionada e compareceu ao local. Após o episódio, a mãe, a estudante e a professora foram encaminhadas à Polícia Civil.
Segundo a Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca), foi registrado boletim de ocorrência por lesão corporal, mas a professora alvo da agressão optou por não representar criminalmente neste momento. Em razão disso, a ocorrência segue arquivada, por seis meses, caso a vítima mude de ideia.
— Foi uma situação pontual envolvendo uma aluna, a responsável e essa (vice-) diretora da escola — afirmou a delegada Sabrina Dóris Teixeira, da 2ª Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
Relatos de violência
Após o caso, o Conselho Escolar da instituição optou por suspender as aulas nesta quarta-feira. Em nota (confira na íntegra abaixo) publicada nas redes sociais, a escola afirmou que "diante dos vários casos de ameaça e violência ocorridos e que culminaram com a agressão física à vice-diretora" houve essa decisão pela suspensão das aulas.
Houve essa agressão mais grave contra a vice-diretora, mas um outro professor que é extremamente querido pelos alunos foi empurrado por um outro aluno que também tem histórico de agressão
PROFESSORA DA ESCOLA
"Ao longo de 2025, se acumulam registros de violência, agressão e ameaça aos profissionais que atuam na nossa Escola", segue o comunicado. A instituição afirma ainda que "fatos como esse nos abalam e são inaceitáveis. Tiram da escola a possibilidade de ser um lugar de acolhimento, respeito e aprendizado".
— Até que ponto a gente tem que aguentar os alunos indisciplinados agredindo não só os professores, mas a funcionários e também a colegas? O caso dessa aluna não é um caso pontual. Existem vários outros casos. Há cerca de um mês, um pai entrou na escola e ameaçou uma professora de morte — contou uma professora.
— A gente precisa conversar com a comunidade, também precisa exigir da Secretaria de Educação um protocolo de segurança nesses casos de ameaça e de agressão. É inaceitável que a gente trabalhe sob ameaça. A gente não pode normalizar esse tipo de situação — afirmou outra docente da escola.
Também em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, assim que foi notificada sobre o episódio, a Diretoria Pedagógica entrou em contato com a servidora alvo das agressões para oferecer suporte. A secretaria afirmou ainda que foi agendada uma reunião para esta quarta-feira, com intuito de resolver o conflito e retomar as aulas.
Manifestações
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) se manifestou sobre o episódio.
"Em relação ao ocorrido, a Secretaria Municipal de Educação informa que recebeu a comunicação sobre o fato ao final da tarde desta terça-feira, dia 12. Imediatamente, a Diretoria Pedagógica entrou em contato com a servidora envolvida, com o objetivo de prestar todo o suporte necessário.
De acordo com a SMED, pela manhã, uma equipe da pasta visitou a escola junto com representantes da Comissão Interna de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (CIPAVE), da Diretoria Pedagógica e da Diretoria de Gestão de Pessoas. No encontro, foram eitos encaminhamentos para reorganização do fluxo de entrada da escola.
A reunião decidiu pela retomada das aulas e o encaminhamento da situação ao Conselho Tutelar.
Nas redes sociais, a Escola Morro da Cruz divulgou uma nota de repúdio, assinada pelo Conselho Escolar.
"Diante dos vários casos de ameaça e violência ocorridos e que hoje culminaram com a agressão física à vice-diretora, o Conselho Escola da EMEF Morro da Cruz, se posiciona pelo não atendimento de alunos em 13 de agosto de 2025.
Entendemos que a escola é um espaço coletivo, de busca de direitos, mas também de cumprimento de deveres. É um espaço formal para construção de conhecimentos, trocas e regras de convivência.
Não é possível trabalhar com um mínimo de qualidade em um ambiente onde há ameaça, desrespeito e onde professoras e funcionárias (sim, está no FEMININO, pois, a maioria são MULHERES) estão sujeitas a serem agredidas moral e fisicamente. Ao longo de 2025, se acumulam registros de violência, agressão e ameaça aos profissionais que atuam na nossa Escola.
BASTA! Fatos como esse nos abalam e são inaceitáveis. Tiram da escola a possibilidade de ser um lugar de acolhimento, respeito e aprendizado. Toda família tem direito a ter acesso a um lugar seguro e saudável para educar seus filhos e filhas. E aqueles que educam precisam de um espaço onde haja respeito e que valorize o seu trabalho.
Exigimos que a SMED cumpra a sua parte como mantenedora, que forneça protocolos atualizados, bem como as condições necessárias para oferecer um ambiente mais seguro para os quase mil estudantes desta instituição.
Confiamos na escola e no trabalho dos que lá estão para ajudar a construir cidadãos para um mundo melhor".





