
Suspeitos de financiar um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para executar um promotor do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com atuação em Campinas, dois empresários foram presos na manhã desta sexta-feira (29) no município do Estado paulista. O alvo seria Amauri Silveira Filho, que atua em investigações contra a facção.
Inquérito do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-SP, aponta que o objetivo do plano era interromper investigações contra a grupo. As informações são do g1.
Identificados como Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos, os empresários atuam no setor de comércio de veículos e transportes em Campinas. A dupla teria financiado o plano com aquisição de veículos, armas e a contratação de um grupo para armar uma emboscada para o promotor.
Zambaldi é conhecido como "Dragão" e teria envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro para o PCC. Além do promotor, um comandante de polícia de São Paulo, que não foi identificado, também seria alvo do grupo.
O promotor de Justiça está bem e teve segurança reforçada. Ele já havia recebido ameaças anteriormente.
Plano articulado por chefão do PCC
A investigação ainda aponta Sérgio Luiz de Freitas Filhos como um dos mentores do plano. Conhecido como "Mijão", ele considerado um dos chefes do PCC e está foragido há anos.
"Pronta resposta a qualquer um que desafiar o Estado Democrático de Direito"
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, publicou uma nota no site oficial do MP-SP, manifestando apoio ao promotor Amauri Silveira Filho e afirmou que "pronta resposta, a propósito, que será dada por nossa instituição a qualquer um que desafiar o Estado Democrático de Direito, cuja marca é o império da lei", em alusão ao nome da operação que desarticulou o plano de assassinar o promotor.
Leia a nota na íntegra:
"Esta Procuradoria-Geral de Justiça vem a público para expressar o seu irrestrito apoio ao promotor Amauri Silveira Filho, alvo de um plano industriado por integrantes de facção criminosa com o objetivo de assassiná-lo. Por óbvio, esse suporte se estende a todo agente público que tem como missão colocar cobro naqueles que insistem em fazer da prática de delitos o seu meio de vida.
Com apoio da Polícia Militar, o tentame foi contido por meio da Operação Pronta Resposta. Pronta resposta, a propósito, que será dada por nossa instituição a qualquer um que desafiar o Estado Democrático de Direito, cuja marca é o império da lei. A população paulista pode ficar tranquila. O eminente membro do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) seguirá firme na sua missão, defendendo de forma inflexível a ordem jurídica.
Destemor é a marca dos promotores e procuradores do Ministério Público de São Paulo, que não recuarão sequer um centímetro no seu desiderato de cumprir as atribuições que lhe foram conferidas pela Constituição Federal!"
Megaoperação
A Polícia Federal (PF), com apoio da Receita, mobilizou 1,4 mil agentes nesta quinta-feira (28) para uma megaoperação contra o crime organizado. O foco eram esquemas bilionários de fraude em combustíveis e lavagem de dinheiro, com envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do país.
A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos de investimentos (multimercado e imobiliários) com patrimônio superior a R$ 30 bilhões que são controlados pelo PCC.



