
Imagens de câmeras de segurança obtidas por Zero Hora mostram outro ângulo da abordagem policial a Carlos Eduardo Nunes, 43 anos, em Guaíba. Suspeito de roubar um celular, o caldeireiro industrial foi contido por quatro policias militares e acabou perdendo a consciência. Levado a um hospital, entrou em coma induzido. Ainda que tenha saído deste estado, Nunes segue hospitalizado e, segundo a família, não responde a estímulos e tem indícios de dano cerebral grave.
As novas imagens mostram que a abordagem durou entre oito e nove minutos. Câmera de segurança registrou Nunes correndo e sendo derrubado por dois PMs à paisana.
Após já estar contido, Nunes volta a se agitar e recebe um golpe de estrangulamento. O militar à paisana que aplica o mata-leão permanece um minuto e 47 segundos sobre as costas de Nunes. Ele ainda teria sofrido um disparo de taser — arma de eletrochoque usada para incapacitação.
O caso aconteceu no dia 24 de junho, no bairro Ermo. A Brigada Militar foi acionada porque Carlos Eduardo Nunes teria roubado o celular de um homem. A família alega que Nunes, que faz tratamento psiquiátrico, passava por um surto psicótico no momento da ação.
Família questiona demora até o hospital
Outro vídeo (veja abaixo) registra quando os policiais arrastam Nunes, aparentemente desacordado, para o banco traseiro de uma viatura. Ele foi levado ao hospital. A família afirma que houve demora no transporte até a instituição e questiona os motivos.
Pelas imagens das câmeras de segurança, o horário de partida da viatura foi 17h34min. No documento que registra a chegada de Nunes ao Hospital Regional Nelson Cornete consta 17h48min. São 14 minutos de deslocamento. A distância entre os dois locais é de 2,5 quilômetros.
— É um caminho relativamente perto, não demoraria tanto tempo — opina o filho do homem, Weverson Eduardo Fernandes Nunes.
Comissão da Assembleia quer ouvir BM
O caso de Guaíba, somado a outras duas ações policiais recentes que resultaram nas mortes de duas pessoas em Bom Jesus e Santa Maria, chamou a atenção da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa. Os deputados estaduais integrantes do grupo anunciaram nesta quinta-feira (10) que vão buscar uma reunião com o corregedor-geral da Brigada Militar.
— Não é legítima defesa quando a pessoa está rendida. A Brigada precisa proteger vidas, não tirar — afirma o presidente da Comissão, deputado Adão Pretto Filho (PT).
A Corregedoria-Geral da Brigada Militar foi procurada para comentar o assunto. Até a publicação desta reportagem ainda não havia se manifestado.
Em entrevista na quarta-feira (9) à Rádio Gaúcha, o corregedor-geral da Brigada Militar comentou o caso de Guaíba. Segundo o coronel Vladimir Luís Silva da Rosa, a investigação aguarda a conclusão de perícia para avançar nas eventuais responsabilizações.
— A ação, da forma como estamos em vídeos, foi uma atuação dentro de uma técnica policial. A questão é o resultado, que obviamente não foi o esperado. Um dos pontos muito importantes é a perícia, que vai determinar o que deu causa a essa situação, do cidadão ficar em coma. Se foi em decorrência da imobilização ou foi em razão da utilização da arma elétrica ou uso de alguma substância que pudesse causar algum distúrbio — afirma o coronel Vladimir Luís Silva da Rosa.
A ação é investigada ainda pela Polícia Civil, que também aguarda laudos da perícia para avançar.



