
Entre os gaúchos vítimas do golpe do falso advogado, está o ex-vereador de Porto Alegre Carlos Roberto Comassetto, 66 anos. O engenheiro agrônomo, que aguardava o recebimento de uma ação relacionada à aposentadoria, foi enganado pelos golpistas, que se passaram pelo escritório de advocacia do qual ele é cliente.
Um grupo suspeito de estar por trás dessa fraude é alvo de operação da Polícia Civil do RS nesta quarta-feira (2). São cumpridos sete mandados de prisão no Ceará, além de outras ordens judiciais de busca e apreensão em Minas Gerais e Santa Catarina. A investigação do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos busca desarticular esse grupo, suspeito de ter se especializado nesse tipo de trapaça.
Os golpistas se passavam pelos advogados das vítimas que tinham ações com valores a receber. Eles usavam a foto do advogado e a logo do escritório e alegavam que a vítima tinha um valor a pagar, como impostos, para poder receber a ação. No caso de Comassetto, o valor cobrado foi de R$ 12 mil.
— Não desconfiei, não percebi que era um golpe. Só fui perceber dias depois, quando não se efetivou o pagamento da segunda parcela que eu teria para receber — relata o ex-vereador.
Para convencer a vítima, os bandidos fizeram contato por meio do WhatsApp com uma conta usando a foto do advogado, alegando que se tratava da segunda etapa da ação que ele tinha em andamento.
— É comum trocar mensagens com a equipe do escritório sobre a situação do processo. A primeira etapa eu recebi e naquele momento tive que pagar determinado valor à equipe jurídica, e o processo teve continuidade — narra o ex-vereador.
Me mandaram mensagem dizendo que havia vencido a segunda etapa e teriam que ser pagas algumas taxas e valores referentes a impostos. Quando recebi mensagens, com a foto do meu advogado, com a logomarca do escritório, tal qual eu já vinha trocando informações e realizei pagamentos, acreditei. Mas a segunda etapa era falsa.
CARLOS ROBERTO COMASSETTO
Vítima de golpe

Dados verdadeiros
Segundo a polícia, para concretizar o golpe os estelionatários monitoram informações verdadeiras — e muitas vezes públicas — sobre processos em andamentos. No caso do vereador, assim como nos de outras vítimas, os estelionatários forjaram documentos, como alvará de liberação e certidão de impostos, para tornar a trapaça mais convincente.
— Pareciam documentos oficiais, com brasão, registro, com a logo do meu banco, com informações que num primeiro momento acaba entendendo que são verídicas. Não conferi número por número do telefone.
Essa equipe de golpistas estuda com muita precisão os dados das equipes técnicas dos advogados
Como não recebeu a parcela prevista, ele fez contato com o escritório e descobriu que se tratava de um golpe.
— Ele disse: "isso não é nós. Isso está nos últimos dias uma onda". É um golpe generalizado — relata.
Como funciona o golpe
- Os golpistas monitoram os sistemas dos tribunais para identificar processos judiciais, especialmente aqueles envolvendo pagamentos de precatórios, requisições de pequeno valor ou indenizações. Coletam nomes das partes, CPFs, nomes dos advogados e números dos processos.
- De posse desses dados, os criminosos entram em contato com as vítimas, geralmente via WhatsApp ou ligação telefônica, utilizando um número desconhecido. Eles se apresentam como o advogado, um assessor, secretário(a) do escritório ou até mesmo um funcionário do Tribunal.
- A abordagem é convincente. O golpista informa que um valor expressivo (o precatório ou a indenização) foi finalmente liberado. Para dar veracidade, enviam documentos falsificados com timbres do Poder Judiciário ou do escritório de advocacia.
- Para a liberação do dinheiro, no entanto, afirmam que a vítima precisa pagar "custas processuais", "impostos" ou "taxas cartorárias" de forma antecipada. O pagamento é invariavelmente solicitado via PIX para contas de laranjas.
- Em alguns casos, os fraudadores utilizam chamadas de vídeo, fotos, vídeos e áudios com linguagem jurídica para aumentar a credibilidade da fraude, dificultando a desconfiança por parte da vítima.




