
O pai de santo Jocemar Antunes de Almeida, 46 anos, teve prisão preventiva decretada pela Justiça nesta quarta-feira (23). Ele está preso, como suspeito de ter sido um dos autores da morte de uma jovem, de 18 anos, o filho que ele tinha com ela, de apenas dois meses, e um adolescente. O crime aconteceu no último domingo, em Esteio, na Região Metropolitana.
Nesta terça-feira, foram encontrados os corpos de Kauany Martins Kosmalski, 18 anos, do filho dela o bebê Miguel, de dois meses, e Ariel Silva da Rosa, de 16 anos. O adolescente, segundo a polícia era amigo de Kauany e também do casal envolvido no crime. O crime teria sido motivado por ciúme e para que a comunidade não soubesse que Jocemar era pai do bebê de Kauany. A polícia acredita que o pai de santo tinha medo de perder o posto de líder religioso, em razão do envolvimento com a jovem.
A decisão de decretar a prisão preventiva do suspeito é do juiz André Dal Soglio Coelho, do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), onde o homem passou por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira. Ele havia sido preso em flagrante na terça-feira, após confessar envolvimento no crime.
A Polícia Civil pediu ainda a prisão preventiva Belisia de Fátima da Silva, 41 anos, companheira do suspeito, que também confessou participação no crime. O pedido encaminhado à 1ª Vara Criminal de Esteio ainda está sob análise. Ela permanece custodiada pela Polícia Civil, assim como dois adolescentes, de 15 e 17 anos, suspeitos de envolvimento no pelo crime. O pedido de internação dos dois também aguarda decisão judicial.
Sangue em veículo

Segundo a delegada Marcela Smolenaars, de Esteio, responsável pela investigação, a perícia conseguiu localizar vestígios de sangue no veículo do pai de santo. O carro teria sido usado para transportar os corpos de Kauany e Ariel, além do bebê – no caso da criança, a polícia ainda precisa esclarecer se ele estava vivo quando foi jogado na mesma cova, onde foram depositados os corpos da mãe e do adolescente.
Outra possibilidade é de que o bebê tenha sido morto antes de ser deixado no local. A perícia deve ajudar a esclarecer a causa da morte.
— Nenhum deles teve coragem de falar como o bebê morreu, acredito que possam ter asfixiado ele, mas ainda precisa ser apurado como isso aconteceu. Eles vão responder também por esse homicídio — explicou a delegada.
Crime premeditado
A polícia acredita que o crime tenha sido premeditado pelo casal. Segundo a confissão do pai de santo, as vítimas foram mortas a facadas. Kauany saiu de casa no domingo, com o bebê, e com o amigo Ariel. Todos se conheciam e frequentavam a casa religiosa liderada por Jocemar.
Eles seguiram com Jocemar e os dois adolescentes para uma área, onde teriam bebido vinho juntos. Em outro veículo, Belisia teria chego ao local, já portando uma faca. Ali, conforme a investigação, ela atacou Kauany, que foi morta primeiro. Na sequência, o pai de santo teria matado Ariel, também com golpes de faca.
Foi o suspeito quem levou os policiais civis até o local do crime, apontando a área onde estavam os corpos, na beira do Rio dos Sinos, com madeiras e galhos por cima.
Motivação
Além do ciúme, a polícia apurou que Jocemar temia perder a posição de líder religioso na comunidade, caso o relacionamento extraconjugal com a jovem fosse descoberto. Familiares de Kauany relataram que ela escondia a paternidade do bebê.
— Tanto Jocemar quanto a esposa afirmam que a Kauany vinha ameaçando que ia contar para a comunidade que o Miguel seria filho do Jocemar — afirmou Marcela.
Em relação ao adolescente Ariel, segundo a polícia, ele era amigo de Kauany e do casal. Conforme a delegada, ele sabia do relacionamento. A polícia acredita que ele tenha sido morto para manter a paternidade de Miguel em sigilo.
O caso passou a ser investigado nesta terça-feira após uma tia da jovem registrar o desaparecimento e indicar Jocemar como suspeito. Segundo a polícia, o pai de santo foi ouvido e apresentou inconsistências nas falas durante interrogatório. Ao ser confrontado com materiais coletados pelos policiais, confessou o crime.
Contraponto
Segundo a polícia, o casal admitiu os crimes. A reportagem busca contato com as defesas dos envolvidos. O espaço está aberto para manifestação.

