
Em 2024, as polícias brasileiras registraram 745 mil assaltos no país. O número é elevado, mas 15,2% menor que o do ano anterior. Enquanto isso, foram registrados 2,1 milhões de estelionatos, crescimento de 7,8% em relação a 2023. Esta transformação no modelo de crime praticado no Brasil vem ocorrendo há alguns anos. Há cinco, os golpes são mais numerosos do que os roubos.
Foi logo após 2020 que ocorreu a virada. Naquele ano foram registrados 1 milhão de roubos e 927 mil estelionatos. Era o começo da pandemia de coronavírus, e até os ladrões deixaram as ruas, se concentrando em golpes predominantemente virtuais.
Os dados são da 19ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (24). O levantamento é realizado desde 2007 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O cientista de dados do FBSP e doutor em Planejamento Urbano e Regional Leonardo Carvalho avalia que, com a migração para o ambiente virtual, os criminosos passaram a ser capazes de, por exemplo, realizar disparos em massa de telefonemas ou vírus. Isso propicia que um golpista faça várias vítimas em pouquíssimo tempo, bem mais do que nos assaltos, e com menos risco de ser preso, porque muitas vezes ele não se encontra na cidade da vítima, nem sequer no país.
— Esse movimento, por si só, justificaria a reflexão sobre a reorganização do sistema de segurança pública no país. O crime mudou muito nos últimos cinco anos e, talvez, a forma de preveni-lo e enfrentá-lo também precise mudar — opina o pesquisador.



