
A adolescente de 15 anos que ajudou a planejou a morte da família do namorado em Itaperuna, no Rio de Janeiro, prestou depoimento segurando um urso de pelúcia. O adolescente matou os pais e o irmão, de três anos, porque eles não permitiram que ele visitasse a namorada no Mato Grosso, segundo a polícia. A informação é da CNN.
A menina foi levada até a Delegacia de Água Boa (MT), onde mora, em 30 de junho. Ela estava acompanhada da mãe, que inicialmente não acreditou que a filha pudesse ter participado do crime — os adolescentes também cogitavam matá-la, conforme as investigações. Ela segue apreendida, à disposição da Justiça.
— Durante a apuração, o que se constatou é que a motivação era só uma: o desejo do adolescente de vir e ficar junto com ela. Essa foi a razão pela qual ele matou toda a família, pois, dias antes, a mãe tinha negado que ele viesse do Rio de Janeiro para Mato Grosso — disse o delegado Matheus Soares, titular da Delegacia de Água Boa.
Conversas extraídas do notebook da adolescente mostram que ela acompanhou os homicídios em tempo real e incentivou o namorado durante a ação. Segundo as investigações, ela exercia grande influência emocional sobre o jovem e participou da premeditação dos assassinatos.
— A menor participou ativamente, incentivando o adolescente a cometer os crimes. Após matar o pai, ele enviou um áudio para ela dizendo: "matei meu pai", e ela respondeu: "atira nela agora", se referindo à mãe dele — relatou o delegado.
Os diálogos também indicam que os adolescentes discutiram maneiras de ocultar os corpos.
Relação virtual
Os adolescentes se conheceram há cerca de seis anos por meio de jogos online. Em contato desde os oito anos de idade, o relacionamento ficou mais sério no último ano. No entanto, a distância era um impeditivo para o encontro dos dois.
— Os pais proibiam contato entre eles. Houve um ultimato acerca do término do relacionamento caso não se encontrassem pessoalmente, dado pela própria adolescente — informou o delegado.
Conversas entre os dois também indicam que ambos conversavam sobre como o jovem poderia conseguir dinheiro para viajar a cidade onde a adolescente mora.
Segundo o delegado, a jovem sugeria que o jovem "demonstrasse ser homem" para vê-la pessoalmente, fazendo chantagem emocional como incentivo aos crimes.
Manipulação
Após os assassinatos, o garoto enviou à namorada uma foto dos corpos. Ela respondeu dizendo que sentiu “nojo” da imagem e reclamou por ele estar “online” sem responder às mensagens durante a ação.
Mesmo após o crime, os dois continuaram trocando mensagens amorosas. Em uma delas, a jovem escreveu: “Nunca pensei que alguém faria isso por mim”.
— Ao ser comunicada sobre a possível participação da filha, a mãe da adolescente de Mato Grosso não acreditou na Polícia Civil, afirmando que ela é uma menina exemplar, que só tira notas boas na escola e a acompanha em tudo — disse o delegado.
Conversas
Segundo o delegado titular de Itaperuna, Carlos Augusto Guimarães, foram encontradas conversas em redes sociais nas quais os dois discutem, com antecedência, detalhes do plano.
As mensagens citam qual arma usar — cogitaram uma faca e a arma do pai do menino — e estratégias para ocultar os corpos e apagar digitais com o uso de luvas.
Em um dos trechos analisados, o casal cogita jogar os corpos a porcos e ainda discuti colocar a arma na mão do irmão mais novo. Também há mensagens sobre a ordem dos assassinatos: primeiro o pai, depois a mãe. A adolescente teria dito que não queria que o irmão fosse morto, mas o namorado afirmou que decidiu isso no momento da ação.
Os pais do adolescente eram mencionados nas conversas como personagens de um jogo de videogame com conteúdo violento, proibido na Austrália, que narra a trajetória de irmãos criminosos. Segundo a polícia, o casal não jogava o game, mas assistia a vídeos sobre ele no YouTube.
Como foi o crime?
A investigação aponta que o garoto esperou a família dormir, tomou um suplemento para se manter acordado e usou a arma escondida do pai para cometer os assassinatos. Em depoimento, afirmou que matou o irmão de três anos para poupá-lo de crescer sem os pais.
Depois do crime, ele limpou a casa utilizando produtos químicos para tentar apagar os rastros e arrastou os corpos até a cisterna.
O revólver utilizado estava escondido sob o colchão do casal. Após matar os três, o adolescente ocultou os corpos na cisterna da área externa da residência.

