
Em janeiro deste ano, um médico procurou a Polícia Civil em Porto Alegre depois de ser vítima de uma tentativa de golpe. Após uma série de fraudes, criminosos tentavam transferir os investimentos que ele mantinha numa conta bancária. O Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos descobriu que ele não era o único a ser alvo do mesmo grupo criminoso.
Na manhã desta terça-feira (17), a Delegacia de Repressão a Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Medici Umbra em São Paulo contra os suspeitos de integrarem esta quadrilha. São cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em São Paulo, no bairro Cidade Tiradentes. A operação conta com o apoio da Polícia Civil de São Paulo, por meio do Departamento Estadual de Investigações Criminais.
A investigação apontou uma mulher de 28 anos, natural de São Paulo, como a líder deste grupo. Ela tem passagem pela polícia por estelionato mediante fraude eletrônica em Pernambuco e no Amazonas. Também são alvo dos mandados de prisão preventiva o companheiro dela, de 34 anos, além de seus outros dois irmãos, de 32 e 29 anos, e o cunhado, de 34 anos.
— São cinco pessoas de uma mesma família e todos eles são especializados em praticar golpes em ambiente virtual. É a verdadeira família do crime — afirma o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos.

Segundo o delegado João Vitor Heredia, da Delegacia de Crimes Patrimoniais Eletrônicos, o grupo invadia a conta de e-mail das vítimas, depois conseguia, com isso, acesso à conta do gov.br.
— Nas contas gov.br, essa organização criminosa tinha acesso a uma grande massa de documentos pessoais desses médicos, inclusive o imposto de renda. A partir desses dados, abriam contas em nomes das vítimas em bancos e corretoras. Então, buscavam fazer transferências das contas verdadeiras para as contas novas abertas a partir da fraude — explica o delegado.
A ação leva o nome de Medici Umbra, que significa "a sombra dos médicos", em alusão aos criminosos que agiam como espécie de sombras, utilizando a identidade e a reputação de médicos para cometer os crimes. O grupo é investigado por estelionato, falsificação de documentos, invasão de dispositivos informáticos e lavagem de capitais. Durante a operação, são cumpridas ordens judiciais de busca e apreensão em endereços relacionados ao grupo. Os documentos e celulares apreendidos serão analisados para dar andamento à investigação.
Outras vítimas
A investigação teve início em janeiro, após o registro de ocorrência realizado por um dos médicos. Ele relatou que os golpistas estavam tentando fazer transferências no valor aproximado de R$ 800 mil. No caso dele, o banco suspeitou das movimentações porque se tratava de uma conta conjunta e os estelionatários enviaram o documento de outra mulher no lugar da identificação da esposa da vítima.
A polícia passou a investigar e descobriu outras quatro vítimas, que passaram pelo mesmo tipo de golpe. Juntos, tiveram cerca de R$ 80 mil de prejuízo. Os médicos alvos do golpe, segundo a polícia, tinham perfis parecidos: idade superior a 60 anos e usavam o mesmo provedor de e-mail.
— A nossa investigação está em curso, mas tudo leva a crer que os dados desses médicos foram recebidos por esses golpistas, a partir do vazamento de algum sistema. A nossa investigação também visa identificar de onde os golpistas adquiriram as informações. Temos convicção de que são decorrentes de vazamento de banco de dados. É importante que as pessoas usem os tokens, que dão maior grau de segurança para suas contas. E também busque usar provedores que garantam maior segurança — diz o delegado Moreira Neto.


