Correção: o alvo da operação é dono de centro de desmanche de veículos de São Sebastião do Caí, e não de São Leopoldo, como publicado entre as 6h41min e as 9h57min. O texto já foi corrigido.
A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (6) operação que combate quadrilha suspeita de atuar no furto e roubo de veículos, adulteração de sinais identificadores e venda de peças de origem ilícita no Vale do Sinos.
Chamada de Carga Pesada, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em São Sebastião do Caí, no Vale do Caí, São Leopoldo e Portão, no Vale do Sinos, em endereços relacionados aos suspeitos de envolvimento no esquema.
A investigação teve início após os policiais recuperarem em São Leopoldo um caminhão furtado em Ijuí, no noroeste do Estado, em fevereiro. Os agentes identificaram a participação de um centro de desmanche de veículos (CDV) de São Sebastião do Caí conveniado ao Detran — um dos mandados foi cumprido no local.
O advogado que representa a empresa nega a participação do estabelecimento em esquema criminoso (leia a manifestação na íntegra abaixo). O Detran informou a suspensão temporária do estabelecimento por até 180 dias, período para apuração dos indícios (leia a nota abaixo).
Foi descoberto que o caminhão apresentava adulteração de números identificadores e estava com as placas clonadas.
— São furtos que acontecem no interior do Estado e que os caminhões são trazidos para o Vale do Sinos para desmanche. No dia de hoje (sexta-feira), é uma fase importante pois tem a participação de um proprietário de CDV autorizado pelo Detran — afirma Ayrton Figueiredo Martins Júnior, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, responsável pela investigação.
Segundo a polícia, ele tem antecedentes por roubo majorado, receptação qualificada, furto qualificado e associação criminosa. O nome dele não é divulgado.
— Ele é o responsável por "esquentar" caminhões objeto de furto, colocando peças com origem definida, de forma a não parecer que houve adulteração no veículo depois revendido. Também recebeu o veículo furtado (o caminhão de Ijuí) e o revendeu para outro receptador — explica.
Segundo o delegado, durante as buscas, foram encontradas placas de caminhões furtados no interior do Estado. Elas estavam em oficina que pertence ao proprietário do CDV conveniado ao Detran, alvo da apuração. O policial afirma que será feito um pente-fino no local, com auxílio de força-tarefa do Detran.
Três crimes
Os suspeitos são investigados pelos crimes de receptação qualificada, furto de veículo e adulteração de sinais identificadores de veículo automotor.
Além da Draco, participaram da ação outras delegacias de São Leopoldo, Detran, Corpo de Bombeiros Militar e Instituto-Geral de Perícias (IGP).
O que diz o Detran
Informamos que o DetranRS participa da operação deflagrada hoje (6), em parceria com a Polícia Civil e demais forças da Segurança Pública, no Centro de Desmanche de Veículos Autodemolidora Preto, em São Sebastião do Caí.
No que compete ao DetranRS, como medida cautelar foi aplicada a suspensão imediata do CDV, por até 180 dias. Neste período serão apurados os indícios para instauração de Processo Administrativo. Caso irregularidades sejam comprovadas, pode resultar em descredenciamento, além de os responsáveis responderem criminalmente.
O que diz o centro de desmanche de veículos
Em 10 de junho, o advogado Leonardo Macedo de Araújo, que representa o CDV investigado, enviou a seguinte nota à reportagem:
Em atenção ao bom nome que a empresa nutri, há 15 anos, informamos:
- Todas medidas estão sendo tomadas para retomada das atividades;
- Em depoimento, todos os documentos foram expostos à polícia civil, não havendo qualquer ligação da empresa ou seus sócios com os alvos da investigação;
- Entre milhares de peças em estoque, analisadas pela polícia, nenhum ilícito fora encontrado;
- A defesa ainda não teve acesso ao expediente policial completo;
- Todos os bens apreendidos são lícitos, regulares e declarados ao fisco, anualmente. Ainda, se buscará reparação de todos os danos e transtornos causados à empresa que, por sua vez, emprega diversas pessoas e, sem nenhum tipo de verificação prévia e se baseando em mero depoimento absolutamente temerário, foi violada, brutalmente, pela polícia, instituição que deveria protegê-la.
Nenhuma das emissoras que fizeram manchete, entraram no estabelecimento junto da polícia e, curiosamente, sabiam de uma operação policial sigilosa (nem mesmo o advogado teve acesso ainda) fez contato com a defesa, ou com a empresa, tampouco seu sócio.





