Investigação preliminar da Polícia Civil aponta que Viviani Aparecida de Moraes, 54 anos, teria se envolvido no acidente de trabalho ocorrido em 26 de abril em Três Coroas, no Vale do Paranhana, ao ajudar uma colega a conter chamas causadas por uma substância inflamável. As duas receberam atendimento, mas Viviani não sobreviveu e faleceu na terça-feira (6).
Conforme a apuração policial, Vilciele Soares Mota, 22 anos, queimava sobras de fios de linhas de calçado que passavam em uma esteira quando um pano com substância inflamável pegou fogo.
As chamas teriam se espalhado até chegarem a galões de solvente que estavam nas proximidades "aumentado consideravelmente a proporção do fogo", segundo nota da Polícia Civil.
Observando o ocorrido, Viviani, que atuava na área de confecção de calçados, teria se aproximado da colega para ajudar a conter as chamas. Durante a tentativa, as duas funcionárias foram atingidas pelo fogo, tiveram queimaduras graves e foram encaminhadas para atendimento médico.
Viviani passou 10 dias internada no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, mas morreu na terça-feira (6). A filha, Cássia Moraes Scheffel, 18 anos, a definiu como "exemplo de mãe, de mulher e de ser humano".
A outra funcionária, permanece internada no Hospital São Francisco de Assis, em Parobé, também no Vale do Paranhana. Segundo a irmã de Vilciele, Maileyde Soares de Brito, 27 anos, a jovem teve 50% do corpo queimado no acidente e sofreu comprometimento das vias aéreas.

Espera por imagens e laudos
Conforme o delegado Ivanir Calliar, a investigação teve início após a comunicação do acidente por uma familiar das vítimas. Até o momento, a polícia trabalha com a tese de que tenha ocorrido um acidente.
Imagens de câmeras de segurança são aguardadas pela polícia para verificar a dinâmica do acidente. Também deve ser solicitado um parecer do Ministério do Trabalho para averiguar as condições de trabalho no local.
— A Polícia Civil está dando andamento às investigações para apurar eventual responsabilização penal, ou não, em razão dos fatos transcorridos e suas trágicas consequências — afirmou o delegado.
Ainda devem ser feitas oitivas com testemunhas e responsáveis pela empresa antes da conclusão do inquérito.
O que diz a empresa
Procurada pela reportagem, a empresa Calçados Karyby lamentou a morte de Viviani. Em nota oficial, ressaltou que a funcionária era "muito querida" pela empresa e colegas.
As circunstâncias do acidente não foram detalhadas pela empresa, que afirma estar apurando as causas e colaborando com as autoridades para a apuração dos fatos.
Veja a nota na íntegra:
"Foi com muita tristeza que a Calçados Karyby recebeu a notícia do falecimento de sua colaboradora Viviani Aparecida de Moraes, na manhã desta terça-feira (6).
Viviani fazia parte da família Karyby há quatro anos e era muito querida por todos nós. Lamentamos profundamente sua partida e, em sinal de respeito e luto, informamos que não haverá atividades em nossa fábrica nesta terça e quarta-feira.
Seguiremos apoiando a família de Viviani, como temos feito desde o incidente do dia 26, em contato direto e integral com seus familiares e da colaboradora Vilciele Soares Mota, também envolvida naquele fato.
Estamos apurando as causas do ocorrido e seguimos colaborando com as autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários. Nossas instalações seguem rigorosamente as normas de segurança do trabalho, com fornecimento adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), realização de treinamentos periódicos, além da atuação ativa da CIPA e da promoção anual da SIPAT.
Com base nos resultados da apuração, adotaremos as medidas necessárias para fortalecer ainda mais a segurança e o cuidado dos nossos colaboradores."






