
A Polícia Civil deflagrou, nesta quarta-feira (7), uma operação que tem como alvo uma organização criminosa suspeita de aplicar o golpe do Pix. Quatro pessoas foram presas na ação. A 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, responsável pela investigação, diz que identificou pelo menos 10 vítimas do grupo, com um prejuízo que pode chegar a R$ 11 milhões.
Segundo o delegado Juliano Ferreira, titular da 8ª DP, os golpistas alvos da Operação Care, diziam à vítima que uma transferência de alto valor havia sido feita em sua conta e, por segurança, ela deveria enviar o dinheiro para uma "conta protegida" — que, na verdade, era dos próprios criminosos.
— A nossa investigação começou com uma vítima só, cujo prejuízo foi próximo a 1 milhão de reais, mas esses mesmos indivíduos estão envolvidos em pelo menos outros 10 golpes, investigados só pela oitava DP. Mas a gente tem certeza que o número de vítimas é muito maior em todo o Brasil — afirma.
— São milhões, a cada vítima é 500 mil, 800 mil, 900 mil, 1 milhão de reais. São valores estratosférico que eles levam — diz o delegado que calcula que entre as 10 vítimas identificadas pela 8ª DP o prejuizo esteja entre 9 a 11 milhões de reais.
A operação consiste em 17 mandados judiciais: cinco de prisão temporária e 12 de busca e apreensão nas cidades de Porto Alegre, Cachoeirinha, Capão da Canoa, Gravataí e Viamão, além do bloqueio de 12 contas bancárias.
Vítima perdeu quase R$ 1 milhão
No caso que deu início a investigação, o estelionato começou com uma mensagem telefônica enviada à vítima, um idoso com doenças crônicas, simulando ser do banco. No texto, os criminosos perguntavam se ele havia realizado uma transferência de R$ 250 mil. A vítima respondeu que não reconhecia a operação e, assustada, acabou dando informações pessoais aos criminosos.
De posse destas informações, um dos golpistas entrou em contato por telefone se passando pelo gerente da instituição financeira da vítima.
— Nesta conversa, a própria vítima acaba repassando algumas informações, como nome do gerente, a agência onde fica e ele (golpista) vai reutilizando essas informações para dar indicativo de veracidade a essa vítima e acaba induzindo ela em erro para que ela efetue as transferências que ele deseja — afirma o delegado.
O falso gerente alega que, para proteger o dinheiro, seria necessário realizar transferências para uma "conta segura". O idoso, acreditando estar protegendo seus recursos, realizou uma série de transações. O valor, que chega perto de R$ 1 milhão, na verdade, foi destinado a contas de colaboradores e integrantes da quadrilha.
Investigação
A investigação, que começou há seis meses, já conta com mais de 400 páginas e segue em andamento, com suspeitos identificados dentro e fora do Rio Grande do Sul.
— Chegamos aos integrantes desta organização que são daqui do Rio Grande do Sul e um dos "cabeça", mas já temos a identificação de outros indivíduos, inclusive de fora do Estado — diz o delegado.
O "cabeça" do grupo, foi um dos alvos da operação desta quarta-feira. De acordo com o delegado, ele é um líder da quadrilha que atua mapeando possíveis vítimas em redes sociais. Idosos com perfil financeiro estável são os principais alvos.
— Hoje, infelizmente, as redes sociais são fartas, são prósperas no sentido de trazer informações de inúmeras vítimas que tem condições econômicas, são vítimas em potencial desses criminosos. Ainda mais os idosos — afirma o delegado.
A operação deflagrada hoje representa a primeira fase da ofensiva. As investigações seguem para localizar outros envolvidos, inclusive em outros Estados.
Os golpes do Pix
O golpe investigado pela 8ª DP, no qual o criminoso se faz passar por funcionário de banco e alerta a vítima sobre uma suposta transação não autorizada, é apenas uma das modalidades envolvendo o Pix.
Golpes comuns com o Pix:
- WhatsApp Clonado: Golpistas clonam o WhatsApp da vítima para pedir dinheiro via Pix, se passando por amigos, familiares ou empresas.
- Falso Atendimento Bancário: Criminosos se passam por funcionários de banco ou suporte técnico e induzem a vítima a fazer transferências ou cadastrar chave Pix.
- Pix Multiplicador e Bug do Pix: Promessas falsas de ganho rápido através de transferências ou de uma falha no sistema Pix.
- QR Code Falso: Golpistas criam QR Codes falsos para desviar pagamentos via Pix.
- Pix Errado: Golpistas alegam engano e pedem estorno, usando o Mecanismo de Devolução para retirar o dinheiro da vítima.
Dicas para não ser vítima:
- Ao receber mensagens ou ligações alegando ser do seu banco, procure o número oficial de atendimento, que está atrás do seu cartão, ou vá até uma agência para confirmar a autenticidade da mensagem.
- Confira todos os dados do destinatário antes de realizar a transferência.
- Não clique em links suspeitos de destinatários desconhecidos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou redes sociais.
- Cadastre as chaves Pix diretamente no aplicativo da instituição financeira que utiliza.
- Não faça transferências para pessoas conhecidas sem antes confirmar sua identidade por ligação telefônica, chamada de vídeo ou pessoalmente.
- Desconfie de promoções ou táticas para ganhar dinheiro após realizar transferências via Pix.
- Defina um limite máximo para as transações Pix, de acordo com suas necessidades.
- Estorne o valor do Pix apenas por meio da função de "devolver Pix" presente no aplicativo do banco.
Fonte: Polícia Civil e Serasa
*Produção: Camila Mendes



