
Correção: a Justiça negou o pedido da Polícia Civil referente à prisão preventiva de um ex-namorado da adolescente, e não o deferiu como publicado entre as 16h04min e as 17h39min de 6 de março. O texto já foi corrigido.
O corpo da adolescente Vitória Regina de Sousa, 17 anos, foi encontrado em uma área de mata em Cajamar, na Grande São Paulo, na última quarta-feira (5). Ela estava desaparecida desde 26 de fevereiro.
A garota foi localizada sem roupas, com sinais de violência e cabelo raspado, a cerca de cinco quilômetros da casa onde morava com a família. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil. Buscas por suspeitos de envolvimento no crime começaram na última sexta-feira (7). No sábado (8), a polícia prendeu o primeiro suspeito (saiba mais detalhes abaixo).
De acordo com a Guarda Civil Municipal, a adolescente tinha ferimentos profundos na garganta. O corpo estava nu e parcialmente esquartejado, sinais indicativos de crueldade. Os cabelos longos dela tinham sido raspados e os braços estavam amarrados com uma fita plástica.
Segundo a polícia, o corpo estava em avançado estado de decomposição e foi identificado por familiares a partir de tatuagens. A perícia foi realizada pelo Instituto Médico Legal (IML), que determinou que a causa da morte foi uma facada no tórax.
Como o corpo pode ter permanecido um certo tempo no local, há também a hipótese de que alguns ferimentos tenham sido causados por animais.
Como foi o desaparecimento
Vitória desapareceu depois de sair do restaurante de um shopping onde trabalhava e seguir para casa. Imagens de câmeras de segurança mostram a adolescente caminhando em direção a um ponto de ônibus, sendo seguida por dois homens. Um deles chegou a embarcar no mesmo ônibus que ela.
Testemunhas relataram que havia outro veículo no ponto onde Vitória desceu. Momentos antes do sumiço, ela enviou áudios para uma amiga relatando ter sido assediada por homens dentro de um carro.
— Passou os cara no carro e eles falou: "E aí, vida? Tá voltando?". Ai, meu Deus do céu, vou chorar. Vou ficar mexendo no celular. Não vou nem ligar pra eles — disse a menina em uma das mensagens — Nossa, até me arrepiei.
— Acontece essas coisas, eu não consigo correr. Eu paraliso, não sei o que eu faço — desabafou com a amiga.
Em outro trecho, Vitória mencionou que dois jovens estavam próximos dela no ponto de ônibus e demonstrou preocupação.
— Ah, amiga, mas tá de boa. Eles tavam no ônibus, só que nenhum deles desceu no mesmo ponto que eu. Então tá de "boaça". Não tem problema nenhum — disse após os momentos de preocupação com a presença dos jovens. Após, ela não se comunicou mais.
Os agentes que participaram das buscas acreditam que Vitória foi mantida em cativeiro por alguns dias, antes de ter o corpo levado para o local de mata, entre a Estrada Francisco Missé e a João Felix Domingues, próximo ao Sítio São Pedro.
Sete pessoas investigadas
Polícia Civil de São Paulo investiga pelo menos sete pessoas por suspeita de envolvimento no assassinato de Vitória.
De acordo com o portal g1, os investigados pelo crime são:
- Um "ficante" de Vitória
- Dois jovens que teriam entrado no ônibus com ela no dia do crime
- Dois homens que a assediaram no caminho para casa
- Um rapaz que teria emprestado o veículo a eles, e deixou o bairro
- O ex-namorado — identificado como Gustavo Vinícius Moraes, conforme apontou a reportagem do Fantástico
A Polícia chegou a pedir a prisão temporária do ex de Vitória por divergências em seu depoimento, que foi negada pela Justiça alegando que não havia suspeitas de que ele cometeu o homicídio.
Até a atualização mais recente, nenhuma participação entre os sete investigados teria sido confirmada. Também não se sabe se a polícia conseguiu identificar todos os suspeitos.
A pedido das autoridades, a investigação do caso corre sob sigilo e detalhes do que já foi apurado não devem ser informados à imprensa. Pelo menos 16 pessoas já foram ouvidas.
Pedido de prisão preventiva negado
A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão de um ex-namorado de Vitória – identificado pelo Fantástico como Gustavo Vinícius – após inconsistências no depoimento, mas teve o pedido indeferido.
O delegado Aldo Galiano, da seccional de Franco da Rocha, disse que Vitória teria sido assassinada por "vingança". Isso porque existem indícios da participação de pessoas ligadas a uma facção criminosa.
— Há uma grande suspeita de que ele (ex-namorado) não teria participado o crime, mas que saberia que o crime seria executado — disse Galiano.
O diretor da Polícia Civil de SP, Luiz Carlos do Carmo, informou que Vitória teria ligado para o ex no dia do desaparecimento. No depoimento inicial, ele teria afirmado que não conversava com a garota há quatro meses.
Carro que pode ter sido usado no crime foi localizado
A Polícia Civil de São Paulo localizou na sexta-feira (7) um carro que pode ter sido usado por suspeitos do assassinato de Vitória Regina de Sousa. O veículo estava em Cajamar, cidade onde aconteceu o crime, e irá passar por perícia.
Moradores informaram que o carro foi abandonado na segunda-feira (3), dois dias antes do corpo da jovem ter sido encontrado, segundo o g1.
Este é o terceiro veículo apreendido pela polícia ao longo da investigação. Todos estão passando por perícia para serem coletadas impressões digitais. Em um dos carros, fios de cabelo e um chinelo foram encontrados.
Polícia prende primeiro suspeito
No sábado (8), agentes policiais de São Paulo prenderam um dos suspeitos do assassinato de Vitória Regina. Maicol Antonio Sales dos Santos, dono do veículo prata visto na cena do crime, teve o pedido de prisão temporária, por 30 dias, acolhido pela Justiça. As informações são do g1.
Conforme a decisão, a prisão foi decretada devido aos fortes indícios de envolvimento no assassinato, além das contradições no depoimento de Maicol. Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram que o carro foi visto na cena do crime e ocorreram movimentações suspeitas na sua residência na data do desaparecimento da jovem.
Vizinhos de Maicol informaram uma movimentação incomum naquela data, com o carro entrando e saindo várias vezes da garagem. O Toyota Corolla do suspeito passou a noite dentro da garagem, o que foi considerado incomum, já que o veículo costumava ficar estacionado na rua.
A polícia pediu também a prisão temporária de Daniel Lucas Pereira, terceiro suspeito de estar envolvido com o crime, porém a Justiça acolheu somente o pedido de busca e apreensão na casa dele.
Conforme a decisão da Justiça, a conexão direta de Daniel com o ocorrido é uma foto no veículo dirigido por Maicol.
Divergências entre depoimentos
Maicol passou por audiência de custódia neste domingo (9) que manteve a prisão. A Justiça autorizou buscas na casa e a quebra de sigilo de dados telemáticos de dispositivos eletrônicos do suspeito.
A principal contradição, na visão dos investigadores, é o paradeiro de Maicol na noite em que Vitória desapareceu, em 26 de fevereiro. Ele disse aos policiais que estava com sua companheira em casa. A mulher negou e afirmou ter passado a noite na casa da mãe.
— A motivação é o segundo momento. O primeiro momento é a colheita das provas. Passando por isso, colocando as pessoas na cena do crime, mostrando quem são realmente essas pessoas, aí nós vamos em busca da motivação. O que ocasionou essa morte tão violenta — disse o delegado Luiz Carlos do Carmo ao Fantástico.
Nota de pesar
A Prefeitura de Cajamar lamentou a morte de Vitória e decretou três dias de luto oficial na cidade. Em nota, o município afirmou que mobilizou esforços desde o desaparecimento da adolescente, com apoio da Guarda Civil Municipal e cães farejadores.
Veja a nota completa abaixo:
"A Prefeitura de Cajamar manifesta seu profundo pesar pelo falecimento da jovem Vitória Regina de Souza, cujo corpo foi identificado nesta quarta-feira (5). Esta é uma perda irreparável que causa imensa dor à sua família, amigos e a toda a comunidade cajamarense.
Desde o desaparecimento de Vitória, todos os esforços foram mobilizados, incluindo a atuação intensa da Guarda Civil Municipal, que, com o apoio de cães farejadores, contribuiu para a localização do corpo. A administração municipal esteve em contato direto com a família da jovem, oferecendo suporte e acompanhando de perto esse momento de angústia.
Neste momento de luto, nos solidarizamos com os familiares e amigos de Vitória. A Prefeitura de Cajamar seguirá à disposição para prestar toda a assistência necessária e reafirma seu compromisso em acompanhar de perto as investigações para que a justiça seja feita.
Diante dessa tragédia, o prefeito de Cajamar, Kauãn Berto, decretou três dias de luto oficial em Cajamar, em memória de Vitória e em solidariedade a seus entes queridos.
Agradecemos a todos que auxiliaram nas buscas e demonstraram apoio. Que Vitória seja sempre lembrada com carinho e que sua família encontre forças para enfrentar essa dor irreparável".


