
Com faixas e cartazes, familiares e amigos de duas mulheres assassinadas a tiros em janeiro deste ano percorreram as ruas de Passo Fundo na tarde deste domingo (24). A manifestação busca por justiça para o crime que vitimou Thairine de Oliveira, 30 anos, e a mãe dela, Isabel Cristina de Oliveira, 63. Principal suspeito do duplo feminicídio, Leandro Santos de Lima, 35, está foragido há três meses.
O protesto partiu da Rua Lava Pés, na área central de Passo Fundo, mesmo local onde aconteceu o crime em 17 de janeiro. Dali, os manifestantes seguiram em caminhada pela Avenida Brasil até chegar ao Fórum do município. Em frente ao prédio, foram fixados cartazes com frases como “Justiça por duas guerreiras e por famílias destruídas”, “Por todas as mulheres que sofrem esse tipo de abuso e ficam caladas” e “Para que não seja esquecido”.
Quando foi assassinada, Thairine estava separada havia seis meses do ex, Lima, contra quem tinha medidas protetivas em vigor, em razão de episódios de violência doméstica. Familiares relatam que ao longo de anos a mãe dela, Isabel, tentou fazer com que a filha se desvencilhasse do relacionamento conturbado. Após se separar de Lima, Thairine tinha ido morar com a mãe, assim como seus três filhos, duas meninas e um garoto. Isabel estava prestes a se aposentar e planejava fazer uma reforma na casa para dar uma vida melhor aos netos. Após a perda da mãe e da avó, as crianças foram encaminhadas para um abrigo.
— Queremos que a justiça seja feita. Que isso sirva para chamar atenção e que ele (Lima) seja encontrado. Que pague pelo que fez —pediu um dos familiares das mulheres, que prefere não ser identificado por receio de represálias.

Quando mãe e filha foram mortas, uma terceira mulher também foi ferida com um disparo de arma de fogo. Ela era nora de Isabel, e mãe de um bebê. A mulher chegou a ficar hospitalizada, mas conseguiu se recuperar. Responsável por representar familiares das vítimas no caso, a advogada Ana Paula Nonnenmacher foi uma das engajadas na organização da caminhada.
— Esperamos justiça. Que, de fato, tomem novas medidas para que a pessoa que provocou esse fato trágico seja encontrada. Isso com certeza vai trazer uma tranquilidade e paz onde também é uma das funções do meio jurídico. O caso não pode e não deve ser esquecido — afirmou a advogada.
Indiciado
Segundo a delegada Rafaela Bier, da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Passo Fundo, Lima foi indiciado pelos dois assassinatos e uma tentativa. Nos casos consumados, ele responde por homicídio qualificado por motivo torpe, por resultado que impossibilitou a defesa da vítima e pelo feminicídio. Há ainda possível aumento de pena, em caso de futura condenação, pelo fato de o crime ter sido praticado na frente dos filhos da vítima e em descumprimento de medida protetiva.
Lima está com prisão preventiva decretada pela Justiça e é considerado foragido. Ao longo dos últimos meses, os policiais fizeram buscas em vários endereços onde ele poderia estar, mas nada foi encontrado.
— A polícia segue nas buscas para localizar o paradeiro do autor, inclusive em outros Estados — afirma a delegada.
Ainda conforme a policial, não houve registro por parte dos familiares das vítimas de possíveis ameaças feitas pelo indiciado, mas as crianças seguem acolhidas em abrigo.
Qualquer informação que ajude a levar ao paradeiro de Lima pode ser repassada para a Polícia Civil através do WhatsApp (51) 98444-0606; para a Deam de Passo Fundo, pelo (54) 3318-1400; para o Disque-Denúncia, pelo 181; ou para a Brigada Militar, pelo 190.
Onde pedir ajuda
Brigada Militar
- Telefone - 190
- Horário - 24 horas
- Serviço - atende emergências envolvendo violência doméstica em todos os municípios. Para as vítimas que já possuem medida protetiva, há a Patrulha Maria da Penha da BM, que fiscaliza o cumprimento. Patrulheiros fazem visitas periódicas à mulher e mantêm contato por telefone
Polícia Civil
- Endereço - Delegacia da Mulher de Porto Alegre (Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia), bairro Azenha. As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado
- Telefone - (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências)
- Horário - 24 horas
- Serviço - registra ocorrências envolvendo violência contra mulheres, investiga os casos, pode solicitar a prisão do agressor, solicita medida protetiva para a vítima e encaminha para a rede de atendimento



