
Uma semana após divulgar a identidade do suspeito de ter matado Francine Rocha Ribeiro, 24 anos, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, a Polícia Civil encaminhou o inquérito do caso à Justiça. Jair Menezes Rosa, 58 anos, preso na quinta-feira (23), foi indiciado por estupro, feminicídio e furto. Para a investigação, o homem teria agido sozinho. Jair nega a autoria do crime. A jovem foi morta no Dia dos Pais em matagal nas proximidades do Lago Dourado, ponto turístico usado para prática de exercícios. O corpo foi localizado um dia depois de ela desaparecer.
Conforme a delegada Lisandra de Castro de Carvalho, da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Santa Cruz do Sul, a polícia recebeu nesta semana o resultado da análise das roupas da jovem, onde também foi encontrado material compatível com o do suspeito. Foi encontrado sêmen numa cinta da calça da jovem e a camiseta da jovem, que coincidiu com o perfil de Jair. Nenhum outro perfil masculino foi identificado.
— Excluímos definitivamente o envolvimento de outra pessoa nesse crime a não ser ele. Todas nossas diligências já indicavam para esse autor. Agora, com o aporte dessa última perícia, temos essa certeza — afirmou.

O suspeito foi indiciado por homicídio qualificado pelo meio cruel, pela emboscada (por conta da vítima ter sido surpreendida enquanto se exercitava na pista), por assegurar a ocultação de outro crime, com classificação de feminicídio, crime cometido contra mulher por questões de gênero. Ele também foi indiciado por estupro e furto dos pertences da vítima . O celular, um casaco, um par de óculos e anéis de Francine não foram encontrados.
Para a delegada, Jair teria atacado Francine com o objetivo de violentá-la e acabou assassinando a jovem. Ela foi morta por asfixia mecânica (estrangulamento) e por conta das lesões provocadas por espancamento. A jovem sofreu hemorragia interna. A prisão preventiva ocorreu após um primeiro laudo da perícia que já apontava que o material genético encontrado no corpo da jovem era compatível com o de Jair.
Com o aporte do exame de DNA tanto no corpo da vítima, como nas vestes, concluindo que corresponde ao material genético dele não temos dúvidas da autoria.
LISANDRA DE CASTRO DE CARVALHO
Delegada de Polícia
— Com o aporte do exame de DNA, tanto no corpo da vítima, como nas vestes, concluindo que corresponde ao material genético dele não temos dúvidas da autoria. Certificamos que não há o envolvimento de outra pessoa. Essa é a conclusão da polícia — disse Lisandra.
Para a delegada, o suspeito teria ido até os matagais com uma mochila, onde acabou surpreendendo a vítima que se exercitava na pista às margens do lago.
— Ele foi para um local onde se escondeu, esperou uma mulher aparecer para que pudesse atacar. Ele tinha uma mochila e nela uma corda. Há premeditação, não há premeditação? Me parece que enquanto ele está no mato escondido, esperando a sua presa, já há um plano — analisou a delegada.
O sangue de Jair havia sido coletado alguns dias após o crime, depois de ele ser reconhecido por dois caçadores como o homem que estava no mato onde a jovem foi morta. Quando procurado pelos policiais, o indiciado negou que tivesse estado nos matagais.
— Com a negativa de que não esteve naquele local, já nos levantou suspeitas. Foi um caso desafiador. Se não tivéssemos identificados as testemunhas, teríamos sérias dificuldades de chegar na autoria — afirmou a delegada.
A coletiva de imprensa foi transmitida pelo Portal Gaz, de Santa Cruz do Sul.
Suspeito nega o crime
Na quinta-feira (23), a polícia prendeu o suspeito no bairro Várzea, onde ele residia com a mulher e uma filha. A casa do aposentado fica nas proximidades do acesso ao matagal que permite chegar, por meio de uma trilha, até o local onde Francine foi encontrada morta. A polícia encaminhou para nova perícia tecidos que estavam na casa do suspeito. Durante buscas realizadas na moradia, a Polícia Civil encontrou uma camiseta rasgada com cor semelhante ao usado para amarrar a mão de Francine.
Jair já foi preso por roubo, mas não tinha antecedentes criminais recentes. Na primeira vez que foi ouvido, negou participação na morte de Francine. Disse que não estava vestindo as roupas camufladas como descrito pelas testemunhas, que não tinha ido às proximidades do lago, que saiu de casa rapidamente e, portanto, não teria como praticar o crime. Jair foi levado para prestar depoimento na sexta-feira (24). Ele se manteve calado. Depois, foi encaminhado para uma casa prisional cujo nome não foi divulgado por questão de segurança.



