
O empresário Humberto Silva De Lucca, 41 anos, foi preso na tarde desta quarta-feira (17) por policiais militares em Gravataí, na Região Metropolitana. Condenado a cinco anos e cinco meses de detenção, De Lucca cumpria a pena em casa, monitorado por meio de tornozeleira eletrônica, mas desde 13 de janeiro é considerado foragido pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).
O equipamento usado por De Lucca estaria com sinal de localização bloqueado, segundo a assessoria de comunicação da Susepe. A pena aplicada a De Lucca é referente a crimes por porte ilegal de arma, receptação e uso de documento, praticados em 2002, em Balneário Camboriú (SC). A assessoria de imprensa do empresário nega que ele estivesse foragido.
"Entendemos que não é assertivo apontar De Lucca como foragido se ele foi encontrado no local indicado ao Poder Judiciário como seu endereço", diz a nota (confira a íntegra ao final deste texto), divulgada na madrugada desta quinta-feira (18).
Conforme a Brigada Militar (BM), brigadianos foram até a casa de De Lucca, em um condomínio fechado em Gravataí, para verificar o chamado de uma mulher, que afirmou ter sido agredida pelo suspeito. Ao abordarem De Lucca, os policiais constataram o mandado de prisão contra o empresário. De Lucca foi levado para carceragem da Polícia Civil, onde aguarda definição sobre sua detenção.
Entre abril e agosto de 2017, De Lucca esteve recolhido no Presídio Central de Porto Alegre. Ao ganhar autorização judicial para cumprir a pena por meio de monitoramento eletrônico, o empresário passou a usar segurança pessoal e carro blindado.
Até ser preso no ano passado, De Lucca era sócio da Quality Medical Line, empresa que produz suplemento alimentar a base de fosfoetanolamina nos Estados Unidos. Em entrevista ao Grupo de Investigação (GDI) da RBS, De Lucca revelou que o produto não continha a substância prometida no rótulo.
Encomendado pelo GDI, teste realizado pela Central Analítica do Instituto de Química, da Universidade Estadual de Campinas, não apontou presença de fosfoetanolamina no frasco comprado no site da Quality e encaminhado para exame. A empresa contestou o resultado da análise, alegando falhas nos testes.
Contraponto
O que diz a defesa de Humberto Silva De Lucca:
A defesa de De Lucca informou que o empresário relatou não ter rompido os termos de sua prisão. Anderson Roza, um dos defensores do suspeito, afirmou que a defesa espera que seja comprovada "como se deu essa violação". Em relação ao caso de suposta agressão, os advogados disseram que não vão se pronunciar sobre o assunto por se tratar de caso pessoal.
O que diz a nota divulgada pela assessoria de imprensa do empresário:
"A equipe Humberto De Lucca lamenta a posição da nota lançada nesta tarde (em referência ao texto divulgado pela Brigada Militar para a imprensa sobre a prisão) sobre o recolhimento do empresário. A falta de atenção aos detalhes e cuidado na divulgação do processo pode gerar para todos os lados envolvidos diversos e desnecessários incômodos.
Entendemos que não é assertivo apontar De Lucca como foragido se ele foi encontrado no local indicado ao Poder Judiciário como seu endereço - e sem qualquer motocicleta. Assim como a descrição de sua função profissional, ao qual nada tem a ver com os empreendimentos que De Lucca realiza - todos no ramo de suplementos.
Acreditamos na idoneidade de todos os envolvidos no processo de construção da nota. Por isso ressaltamos esses pontos no esforço de em conjunto criarmos uma comunicação que seja esclarecedora e objetiva."

