
Informação é um dos aliados mais importantes na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças perigosas. Neste sábado, 24 de abril, Dia Mundial da Meningite, vale conhecer mais sobre essa enfermidade que pode provocar sequelas irreversíveis e até a morte. Para se prevenir, é fundamental saber as principais causas e os sintomas, além de manter em dia a vacinação.
Meninges
Meninges são membranas que revestem partes do sistema nervoso, como o cérebro e a medula espinhal. Essas membranas exercem funções importantes, especialmente na proteção dessas estruturas.
A inflamação dessas membranas – geralmente provocada por infecções virais ou bacterianas – ocasiona, na meningite, quadro que pode deixar sequelas, como danos aos órgãos, perda da audição, lesão cerebral, dificuldade de aprendizagem e perda de membros, além do risco à vida.
Causas
Há uma série de fatores que podem provocar a doença, sendo os mais comuns as infecções virais e bacterianas. No entanto, micro-organismos como fungos e outros parasitas também podem ser os responsáveis pela inflamação. Além disso, doenças como câncer e lúpus, reação a algumas drogas, traumatismo craniano e cirurgias cerebrais também podem gerar inflamações nesses tecidos.
Transmissão
No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, ou seja, que atinge certas regiões de forma significativa. No caso da bacteriana, a transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio de gotículas e secreções emitidas pelas vias respiratórias. A forma viral ocorre mais comumente por secreções gastrointestinais.
Mesmo sem apresentar sintomas da doença, uma pessoa não vacinada pode ser um transmissor desses micro-organismos, que geralmente se concentram em partes do sistema respiratório. Dessa forma, a imunização é importante não só para evitar a doença, mas também a sua transmissão.
Sintomas
De forma geral, a meningite se manifesta com sintomas mais genéricos, como febre, dor de cabeça, náusea e vômito. Combinado com isso, pessoas com meningite também podem apresentar rigidez na nuca, fotofobia, sonolência, letargia, irritação e estado de confusão mental.
Nos casos bacterianos, com o passar do tempo, podem aparecer convulsões, delírio, tremores e manchas vermelhas pelo corpo. Em bebês, especialmente recém-nascidos, é importante estar atento a irritação, vômitos, má-alimentação, letargia e, também, apresentar maior protuberância na moleira.
Ao suspeitar de um quadro de meningite, procure atendimento médico imediatamente. Marcelo Comerlato Scotta, docente da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), explica que, em geral, pacientes com meningite são clinicamente diagnosticados.
O professor também esclarece que, embora com sintomas semelhantes, as formas virais e bacterianas apresentam diferenças significativas:
— Na viral, estamos falando de uma doença geralmente leve e sem sequelas. Na bacteriana, temos uma doença que, sem tratamento, é mortal. Sem diagnóstico e tratamento correto, ela é mortal em 100% dos pacientes e, mesmo tratada, pode deixar sequelas em até 25% dos casos.
Prevenção
Há medidas básicas, como evitar aglomerações, manter os ambientes ventilados, não compartilhar objetos de uso pessoal e higienizar as mãos com frequência. Mas a vacinação em dia é o método mais eficaz para evitar o contágio e a proliferação da doença.
O calendário de vacinação do Ministério da Saúde contém uma série de imunizações contra os principais tipos de bactérias e vírus que causam a meningite, todas disponíveis gratuitamente na rede pública.
Confira:
- Meningocócica C: para crianças, com três doses, sendo a primeira aos três meses, a segunda aos cinco meses e um reforço entre 12 meses e quatro anos, 11 meses e 29 dias. Para adolescentes entre 12 e 13 anos, a aplicação é em dose única.
- Pneumo-10: previne a meningite por pneumococo. Para crianças, sendo a primeira dose aos dois meses, a segunda aos quatro meses e um reforço entre 12 meses e quatro anos, 11 meses e 29 dias.
- Pentavalente: para crianças, sendo a primeira dose aos dois meses, a segunda aos quatro meses e a terceira aos seis meses.
- BCG: para crianças, ao nascer.
- Meningocócica ACWY: para a faixa etária entre 11 e 12 anos.
O professor Marcelo Scotta, da PUCRS, explica que, desde que essas vacinas se consolidaram no calendário nacional, os casos vêm caindo ano a ano e as endemias dos micro-organismos que causam a meningite se tornaram menos comuns no Brasil:
— A única forma de prevenção é manter a imunização em dia. Então, o apelo pela vacinação é importante.
Fonte: Marcelo Comerlato Scotta, docente da Escola de Medicina da PUCRS
Produção: Állisson Santiago


