
Você já reparou quantas vezes por dia vai ao banheiro? Por ser rotineiro, o ato de fazer xixi muitas vezes não é percebido atentamente pelas pessoas. Entretanto, essa necessidade básica pode trazer revelações sobre a saúde.
O padrão para um adulto saudável é urinar entre seis e oito vezes por dia, sendo aceitável uma vez durante a noite. Esse cálculo, todavia, não é tão simples, como explica a urologista com atuação em disfunções miccionais Carolina Kives:
— O número nos dá um parâmetro, mas o mais importante é entender a pessoa como um todo — destaca a médica.
Quantidade de líquidos ingeridos, uso de medicamentos e hábitos alimentares são fatores que influenciam na frequência urinária. O consumo de álcool ou cafeína, por exemplo, afeta diretamente esse padrão.
Para analisar o que pode ser uma perspectiva subjetiva, a urologista propõe em consultório a prática do diário miccional — um método em que o paciente anota, durante alguns dias, os líquidos ingeridos e a quantidade de urina eliminada.
Dessa forma, é possível identificar padrões e causas dos sintomas, auxiliando na avaliação médica.
Uma condição identificada com frequência no consultório, segundo a urologista, é a bexiga hiperativa, que provoca contrações involuntárias no órgão. Pacientes com a doença podem sentir vontade constante de urinar, mesmo quando a bexiga não está cheia.
Mais comum entre mulheres
As longas filas nos banheiros femininos também não são por acaso. O hábito é diferente entre homens e mulheres.
Segundo a ginecologista e sexóloga Mariana Rodrigues, os hormônios do corpo feminino atuam na sensibilidade da bexiga.
— Tem períodos da vida da mulher que podem predispor a um aumento de frequência urinária, por conta de sensibilidade, infecção ou período hormonal que se está vivendo — pontua Mariana.
Gestação, pós-parto, menopausa ou após relação sexual são momentos em que o aumento das idas ao banheiro pode ser comum. Infecções urinárias ou problemas na musculatura do assoalho pélvico também influenciam.
Para a ginecologista, a fisioterapia pélvica é fundamental para o controle das questões urinárias. Caso a prática não seja acessível, evitar ganho de peso excessivo e ter uma alimentação adequada ajudam a não sobrecarregar a musculatura.
Urinar após a relação sexual também é fundamental, pois protege o sistema urinário contra infecções e, consequentemente, evita uma causa de micção frequente.
Hábito cultural
Segundo a ginecologista, fazer xixi muitas vezes também pode ser cultural e comportamental.
Embora o ideal seja esvaziar a bexiga quando ela está cheia, as mulheres são ensinadas a ir ao banheiro "por precaução" ou antes de compromissos — a fim de evitar, por exemplo, o uso de sanitários públicos.
— Tudo isso acaba modificando a frequência urinária e pode acostumar errado a nossa bexiga — pondera Mariana.
Quando buscar ajuda médica
A frequência urinária não deve prejudicar a qualidade de vida. Se a necessidade de fazer xixi for constante e atrapalhar a rotina pessoal ou profissional, é recomendado buscar ajuda.
Conforme a urologista Carolina Kives, é importante ficar atento aos seguintes sinais:
- Mudança repentina no padrão miccional
- Ardência ou dor ao urinar
- Dificuldade para esvaziar a bexiga
- Urgência miccional constante
- Presença de sangue na urina
— Na dúvida, é melhor avaliar e, inclusive, prevenir. Depois, as consequências podem ser piores ou irreversíveis — finaliza a médica.
*Sob supervisão de Ana Müller

