Paulo Ricardo Duarte Bonavides, o Tio Paulo, tem 34 anos, é cirurgião-dentista especializado em odontopediatria e pacientes com necessidades especiais. Nas redes, soma mais de 15 milhões de seguidores com vídeos mostrando atendimentos humanizados e lúdicos. Nesta semana, ele foi o convidado do RivoTalks, programa de entrevistas de GZH e Rivonews.
Nascido em família humilde na Baixada Santista, filho de uma animadora de festas infantis e de um pai que ficou nove anos desempregado, ele criou ainda adolescente a empresa de festas Hora de Brincar. Recentemente, passou a dar aulas de humanização na área da saúde para alunos e funcionários de duas faculdades de odontologia e medicina.
Na conversa, Paulo relembrou uma infância marcada pela falta de dinheiro e pelo apoio da mãe, Marta; pela explosão repentina de fama depois que um vídeo seu foi compartilhado pelo humorista Fábio Porchat; pela filosofia de trabalho que o tornou conhecido e pela perda de uma paciente, Júlia, que carrega até hoje como símbolo de sua vocação.
Ao explicar por que prioriza a eficácia do tratamento mesmo quando isso significa deixar a criança chorar durante a consulta, ele defende uma posição que sabe ser, à primeira vista, difícil de aceitar para os pais:
— Eu prefiro que a criança chore do que vocês chorem. Eu nunca vi um relato de uma criança que foi a óbito por chorar. Mas eu já vi vários casos de criança que pegou uma infecção generalizada, foi para o coração, e entrou em óbito por conta do dente. Então, entre a criança chorar por estar com a boca cheia de bactéria e vocês chorarem depois, eu prefiro que ela chore.
Ele resume sua filosofia de trabalho numa frase que repete em suas aulas: "dentista que cuida de dente tá ultrapassado, dentista precisa cuidar de gente" – o que inclui entender o histórico familiar, a gestação e até o estado emocional da mãe antes de tocar no paciente.
No bate-papo, ele também falou sobre a fama repentina:
— Eu vou dormir com três mil seguidores e eu acordo com 300 mil. Achei que tinha perdido os três mil, porque eu, com aquela alma pobre, olhei o número e não entendi o que estava acontecendo.
Ao ser questionado sobre os limites entre o Tio Paulo público e sua vida, ele reconhece o incômodo de ser tratado, por parte de seguidores, como se ainda fosse uma espécie de personagem infantil:
— As pessoas acham que sou a Galinha Pintadinha, o Patati Patatá. Eu não sou. Sou um homem adulto que paga impostos, que tem vida social, que sai, se diverte. O que eu mostro, as pessoas podem opinar. Mas minha vida pessoal, momentos de família, coisas que eu não quero expor, aí ninguém tem direito de se meter.



