O Hospital Centenário, em São Leopoldo, restringiu os atendimentos no Centro Obstétrico nesta quarta-feira (5). O motivo da decisão é a falta de médicos disponíveis para o plantão. Os demais serviços da instituição operam normalmente.
Em nota, o Hospital Centenário apontou que a medida é consequência do não cumprimento de escala por parte da empresa contratada, Vincitore Gestão em Saúde, que fornece médicos obstetras (veja a íntegra abaixo).
Segundo a instituição, houve uma tentativa de mobilizar equipes para não adotar a restrição, porém, o "atual déficit de médicos obstetras disponíveis no mercado têm dificultado a reposição imediata dos plantões" tornando inevitáveis as restrições de atendimento divulgadas nos últimos dias.
Nesta quarta-feira, não havia nenhum obstetra escalado para o plantão diurno. O setor contava apenas com uma médica da rotina e outros profissionais de apoio, mas nenhum obstetra.
Terceira vez em uma semana
Esta é a terceira vez em uma semana que os atendimentos são afetados. Os serviços já haviam sido interrompidos entre a noite de quarta-feira (29) e a manhã de quinta-feira (30), além da manhã e da tarde de sexta-feira (31). O período de restrição foi sempre de 12 horas, duração de um turno médico.
O atendimento ao longo do último fim de semana também seria comprometido, mas a situação foi revertida pelos funcionários do hospital. Até o momento, nenhuma paciente precisou ser transferida para Sapucaia do Sul ou Esteio.
O Hospital Centenário informou que está adotando medidas administrativas e legais para responsabilizar a empresa pelo descumprimento do contrato. A expectativa é de que haja rompimento com a Vincitore e, posteriormente, seja realizada a contratação de uma nova empresa para complementar o quadro de profissionais.
Além disso, 12 médicos obstetras aprovados no concurso público deverão iniciar as atividades até o fim deste mês no hospital. Com isso, a instituição espera que as escalas possam ser mantidas de forma definitiva no Centro Obstétrico.
Encerramento do contrato
A Vincitore Gestão em Saúde afirmou que assumiu o contrato para o fornecimento de médicos ginecologistas ao Hospital Centenário em 1º de julho e que, desde o início da prestação do serviço, buscou estabelecer uma parceria com a direção da instituição. Segundo a empresa, a organização das escalas foi prejudicada por problemas anteriores à sua contratação, como a inadimplência de empresas que atuaram antes e o modelo de remuneração adotado pelo hospital.
A empresa também informou que encaminhou um ofício à direção na semana passada propondo medidas para solucionar o problema. No entanto, alega que o anúncio da nomeação de médicos concursados para a metade de agosto gerou insegurança entre os profissionais que já estavam escalados para o mês. Conforme a empresa, todos os médicos previstos na escala de agosto solicitaram desligamento ou migraram para outras instituições, onde teriam garantia de cumprir o mês completo de trabalho.
Ainda de acordo com a empresa, a dificuldade para manter as escalas não está relacionada a questões financeiras. A Vincitore atribui o cenário a problemas de gestão acumulados ao longo de anos.
A empresa informou ainda que já solicitou o encerramento do contrato com o Hospital Centenário.
"Enviamos, na semana passada, um ofício tentando estabelecer uma parceria com o hospital para resolver a questão, mas, infelizmente, a solução encontrada foi a pior possível. Nomear os médicos concursados está correto, porém anunciar que isso ocorreria na metade de agosto fez com que os médicos escalados pedissem para sair da escala pela insegurança gerada pelo próprio hospital", afirmou Juliano Soffia da Rocha, CEO da Vincitore Gestão em Saúde.
A contratada informa ainda que está no primeiro mês de execução do contrato e que sequer recebeu o primeiro pagamento do hospital, tendo emitido a primeira nota fiscal apenas nesta semana. Mesmo assim, afirma ter desembolsado cerca de R$ 100 mil em recursos próprios para garantir a manutenção dos plantões e relata que, em alguns dias, precisou efetuar pagamentos antecipados a médicos antes do início dos turnos para evitar que o hospital ficasse sem cobertura.
Confira a nota do Hospital Centenário
O Hospital Centenário informa que as recentes restrições temporárias no atendimento do Centro Obstétrico são consequência de uma decisão unilateral da empresa contratada para o fornecimento de médicos obstetras, que deixou de cumprir as obrigações previstas no contrato firmado com a instituição.
Desde que tomou conhecimento da situação, o Hospital Centenário mobilizou suas equipes em regime permanente de plantão para buscar profissionais que pudessem suprir as escalas e evitar a desassistência à população. Entretanto, o atual déficit de médicos obstetras disponível no mercado tem dificultado a reposição imediata dos plantões, tornando inevitáveis as restrições de atendimento divulgadas nos últimos dias.
O Hospital ressalta que a interrupção da cobertura das escalas ocorreu por iniciativa exclusiva da empresa contratada, sem qualquer deliberação ou interesse da instituição em restringir os serviços prestados à população.
Em razão do descumprimento contratual, o Hospital Centenário já está adotando todas as medidas administrativas e legais cabíveis para responsabilizar a empresa e resguardar o interesse público, assegurando a continuidade da assistência.
Paralelamente, a instituição informa que os médicos obstetras aprovados no concurso público deverão iniciar suas atividades até o final deste mês. A medida permitirá a recomposição definitiva das escalas, garantindo maior estabilidade ao atendimento do Centro Obstétrico e reduzindo a dependência de contratos terceirizados.
O Hospital Centenário reafirma seu compromisso com a população de São Leopoldo e dos municípios referenciados, mantendo todos os esforços para assegurar uma assistência segura, qualificada e humanizada, com transparência na comunicação e responsabilidade na gestão dos serviços públicos de saúde.



