
A psicóloga gaúcha Aline Wolff é uma das principais referências em psicologia do esporte no Brasil. Formada também em educação física, ela atua há mais de duas décadas com atletas de alto rendimento e acompanha a ginasta Rebeca Andrade, hoje a maior medalhista olímpica da história do país, desde os 13 anos da atleta. Aline também atende executivos, adolescentes e famílias em sua clínica e lançou recentemente o livro Alta Performance Sustentável. Nesta semana, ela foi a convidada do RivoTalks, programa de entrevistas de GZH e Rivonews.
Na conversa, Aline detalha a diferença entre o que chama de "alta performance antiga" – baseada em sacrifício extremo e na glamorização do sofrimento — e o conceito que defende em seu livro, voltado para resultados que não custam a saúde de quem os busca. O papo também passa por temas como saúde mental, síndrome do impostor, pseudociências, a mercantilização de jovens atletas no futebol e o papel das emoções no desempenho.
— É a lógica do faça mais, ter alta performance tem que passar do seu limite, envolve ir além, tem uma glamorização da dor, do superar, essa é a narrativa que a gente entendia, isso é estar em alta performance. Isso é alta performance? Pra mim não — afirma. — Se ela não se mantém, gente, ela não é alta.
Sobre o trabalho com Rebeca Andrade, Aline lembra que aprendeu ainda no início da parceria que ela queria ser vista como uma pessoa, e não como uma máquina. Essa percepção, segundo ela, moldou todo o seu método de trabalho.
A psicóloga também critica a chamada indústria do bem-estar, que vende retiros, rotinas e cursos como sinônimo de equilíbrio emocional. Para ela, saúde mental não é escalável, e seguir fórmulas prontas não resolve questões profundas.
Ao falar sobre síndrome do impostor, Aline explica que o fenômeno tende a ser mais comum em populações minorizadas, porque essas pessoas nunca tiveram um olhar de validação do seu valor perante o outro.


