
O paciente que tem o quadro de saúde investigado como suspeita de ebola foi transferido nesta sexta-feira (12) para o Grupo Hospitalar Conceição, na zona norte de Porto Alegre. O homem de 64 anos estava internado em uma área isolado da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Canudos, em Novo Hamburgo.
Ele deu entrada na UPA na quarta-feira (10) e testou positivo para malária. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde de Novo Hamburgo, o idoso apresenta quadro de saúde estável.
O paciente esteve recentemente em Uganda, na África Oriental. Embora a malária seja, até o momento, o principal diagnóstico, o caso permanece em investigação para ebola, conforme os protocolos do Ministério da Saúde. O descarte definitivo dependerá da análise do laboratório nacional de referência, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), ainda não há uma previsão de quando o resultado será obtido. Se o caso de ebola for confirmado, o paciente será encaminhado a um hospital de referência nacional.
A secretaria informou que comunicou o caso ao Ministério da Saúde assim que a suspeita surgiu. As ações vêm sendo conduzidas em conjunto com as autoridades municipais e o ministério, de acordo com os protocolos de vigilância, assistência e biossegurança.
Também já foi iniciado o mapeamento e o monitoramento das pessoas que tiveram contato com o paciente. Elas serão acompanhadas por 30 dias, período que permite identificar precocemente o surgimento de sintomas.
Os serviços de saúde envolvidos receberam orientações sobre prevenção e controle de infecções.
Surto de ebola na África
O alerta ocorre em meio a um surto de ebola na República Democrática do Congo, na África Central.
São pelo menos 220 mortes suspeitas e 900 casos suspeitos, segundo dados divulgados pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Desse total, 101 casos foram confirmados, com 10 óbitos. Em Uganda, país vizinho de onde veio o paciente atendido no RS, há cinco casos confirmados e uma morte.
Outros casos suspeitos no Brasil
Além do Rio Grande do Sul, São Paulo também investiga um caso suspeito de ebola.
A secretaria de saúde estadual local anunciou, na quarta-feira (10), a apuração envolvendo uma brasileira de 31 anos que viajou a trabalho para a província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo. Ela chegou ao Brasil no sábado (6) e começou a apresentar sintomas, como febre e diarreia, na terça-feira (9).
Atendida inicialmente em um hospital particular, a mulher foi transferida para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, onde está internada em leito de isolamento e em estado estável, conforme os protocolos de biossegurança. O teste rápido para malária deu negativo.
A secretaria abriu a investigação porque a paciente se enquadra nos critérios para caso suspeito: histórico de viagem a uma região com transmissão da doença e surgimento de sintomas após a chegada ao Brasil.
Ainda não há confirmação laboratorial da infecção pelo vírus, e as análises estão a cargo do Instituto Adolfo Lutz.
Outros dois casos suspeitos foram descartados pelo Ministério da Saúde no dia 1º, um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo.
Para o Centro de Vigilância Epidemiológica, o risco de um surto da doença no Brasil e na América do Sul segue classificado como muito baixo.
O que é o ebola
O vírus foi descrito a partir de uma epidemia registrada em 1976, com focos na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul. Um dos surtos daquele ano atingiu uma aldeia próxima ao rio Ebola, o que deu nome à doença.
O ebola provoca uma doença febril de alta letalidade. Entre 25% e 90% das pessoas que contraem a infecção morrem.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue, tecidos ou fluidos corporais de pessoas infectadas, vivas ou mortas, e também por objetos e superfícies contaminados, como roupas.
Uma pessoa só transmite o vírus quando já apresenta sintomas, e a doença não se espalha pelo ar.
De acordo com o Ministério da Saúde, o ebola passa a circular entre os seres humanos a partir do contato com sangue, órgãos ou fluidos de animais infectados.
Os reservatórios naturais mais prováveis, onde o vírus vive e se multiplica, são morcegos da família Pteropodidae, que se alimentam de frutas.
Por não ser transmitido pelo ar e só circular entre pessoas com sintomas, o risco de disseminação internacional e de uma pandemia é considerado baixo.
Vírus respiratórios, como os da covid-19 e da influenza, espalham-se por aerossóis e têm transmissibilidade muito maior.
Principais sintomas
O período entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sinais varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, os sintomas iniciais mais comuns são:
- febre
- fadiga
- mal-estar
- dores musculares
- dor de cabeça
- dor de garganta
A lista se confunde com a de outras doenças, como dengue e influenza. O que costuma diferenciar o ebola é a presença marcante de febre, com menos sintomas respiratórios.
Ainda assim, apenas os sinais clínicos não bastam para o diagnóstico: a confirmação exige exame de PCR.
Com a evolução do quadro, podem surgir, conforme a OMS:
- vômito
- diarreia
- dor abdominal
- erupções na pele
- comprometimento das funções dos rins e do fígado
Nos casos mais graves, a entidade aponta o risco de sangramentos internos e externos, como secreção sanguinolenta nas gengivas e sangue nas fezes.
Não há vacina
Esta é a 17ª epidemia de ebola na África desde 1976. O maior surto já registrado aconteceu entre 2014 e 2016, com cerca de 28,6 mil casos suspeitos na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria, e 11,3 mil mortes, segundo a Fiocruz.
Sem imunizante ou medicamento específico para essa variante, o cuidado médico se limita ao alívio dos sintomas. Os anticorpos monoclonais disponíveis funcionam apenas contra outra cepa do vírus, a Zaire.





