Cerca de 15 mil profissionais da saúde do Rio Grande do Sul receberam a vacina da dengue produzida pelo Instituto Butantan que foi suspensa no país. O dado é da Secretaria Estadual da Saúde, que informa ter recebido 45.220 doses do imunizante Butantan-DV.
A suspensão em todo o território nacional foi determinada pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (8) após registros de reações adversas e de duas mortes — que estão em investigação — de pessoas que haviam tomado a vacina recentemente.
No RS, foram registrados eventos adversos dentro do esperado, sendo apenas um caso grave que não teve relação com a vacina, segundo a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVs), Tani Ranieri.
Em Porto Alegre, 1.869 servidores da área da saúde foram vacinados desde março, quando se iniciou a imunização. Destes, 207 relataram reações adversas, o que corresponde a 11% dos imunizados. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os sintomas apontados são leves e sem gravidade. Nas últimas três semanas, foram 196 doses aplicadas na Capital.
A Capital recebeu 3.061 doses no total. Conforme a SMS, as vacinas restantes serão recolhidas para a central de abastecimento do Estado e mantidas armazenadas até novas recomendações.
O que fazer se eu tomei a vacina?
A vacina suspensa não tem relação com a japonesa Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda. Essa segue disponível no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Para quem tomou a Butantan-DV, a orientação das autoridades do Estado e do Ministério da Saúde é ficar atento a possíveis reações nos 21 dias seguintes.
Nesse período, é importante observar sinais que podem ser semelhantes aos da dengue, como:
- Febre
- Dor de cabeça ou dor atrás dos olhos
- Dores no corpo e nas articulações
- Náuseas ou vômitos
- Manchas vermelhas na pele
Sinais de alerta que indicam a necessidade de atendimento imediato incluem:
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes
- Tontura, desmaio ou sensação de fraqueza
- Sangramentos (nas gengivas ou nariz, por exemplo)
- Sonolência, irritação ou piora do estado geral
Situação no Brasil
Em todo o Brasil, foram aplicadas 500 mil doses até 30 de maio. Ocorreram 42 casos de reações adversas, com sinais compatíveis ao de dengue grave.
Antes de aprovada, a pesquisa do Instituto Butantan havia aplicado o imunizante em 16 mil pessoas, que foram acompanhadas durante cinco anos.
Queda expressiva nos casos nos últimos anos
Até a semana epidemiológica 22, que foi até 6 de junho deste ano, o Rio Grande do Sul confirmou 2.038 casos de dengue. De acordo com o painel do governo do Estado, em 2025, eram 49.703 confirmações no mesmo período e, em 2024, havia 198.927 casos — ano em que houve uma explosão de ocorrências.
Os dados estaduais ainda contabilizam três óbitos pela doença em 2026: em Guaporé, na Serra; em Jacutinga, no Norte; e em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Em todo o ano de 2025, o Estado teve 53 mortes; e em 2024, foram 281.
Possíveis causas
Na avaliação da Secretaria Estadual de Saúde, ações de monitoramento e controle do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, contribuíram para a redução da incidência, assim como a vacinação do público de 10 a 14 anos com o imunizante japonês Qdenga.
Ainda segundo a pasta, o inverno de 2025 foi mais rigoroso se comparado ao dos anos de 2022 a 2024. A primavera no ano passado também foi mais seca, reduzindo a disponibilidade de criadouros no início do verão em 2026.

