
A possibilidade de canetas emagrecedoras serem incluídas no rol de medicamentos oferecidos no Sistema Único de Saúde (SUS) passou, oficialmente, a ser estudada pelo governo federal. A pedido do Ministério da Saúde, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC) deu início, nesta sexta-feira (26), a um estudo clínico pioneiro que envolverá 250 pacientes do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre. São pessoas com obesidade, indicação para cirurgia bariátrica e atualmente reguladas pelo SUS.
O estudo vai reunir dados para avaliar, do ponto de vista clínico e financeiro, a possibilidade das canetas de semaglutida sintética serem incorporadas ao SUS. O grupo fará o uso de até 2,4 miligramas do medicamento Wegovy, da Novo Nordisk, por semana e terá um acompanhamento multidisciplinar de dois anos.
O programa estabelece alguns requisitos específicos para os participantes. Entre eles, apresentar alto índice de massa corporal (IMC) associado a pelo menos uma comorbidade relacionada à obesidade.
— Esses nossos pacientes da cirurgia bariátrica têm uma característica muito importante que fez com que a gente pensasse no uso da semaglutida: 91% deles têm obesidade mórbida, com índice de massa corporal acima de 53,8. Eles precisam de uma condição melhor para fazer a cirurgia e possuem mais de uma comorbidade: são hipertensos, cardiopatas, diabéticos, têm depressão. Alguns chegam na hora e não têm condições de serem submetidos à cirurgia — explica Fernando Anschau, coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologias do GHC.
Paciente 1
O início oficial do estudo clínico foi marcado pela injeção de uma caneta no primeiro paciente do hospital: Guilherme Henrique Streppel Panichi, 39 anos, morador de Porto Alegre, motorista de aplicativo.
O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que apontou como um dos critérios na escolha de um hospital gaúcho para conduzir o programa o alto índice de obesidade no Estado.
Empresas manifestam interesse em produzir o medicamento
Padilha ainda afirmou que o governo trabalha para garantir a produção do medicamento em solo nacional:
— Mais da metade da população brasileira tem sobrepeso, e um quarto está obesa. Estamos falando de dezenas de milhões de pessoas. Toda vez que você fala de medicação para larga escala de uso no SUS, você tem que conseguir produzir no Brasil, ou você não tem sustentabilidade dessa oferta. O segundo desafio é convocar empresas para registrar esse produto aqui.
Segundo o ministro, 17 empresas já manifestaram interesse de produzir semaglutida sintética no país. O estudo clínico do GHC será acompanhado pelo Ministério da Saúde e tem o apoio da Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAUFRGS) e da indústria farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk.




