
A bactéria encontrada em amostras da água mineral Crystal, que teve o recolhimento voluntário determinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira (3), é a mesma que havia sido detectada em produtos da marca Ypê.
A Pseudomonas aeruginosa foi encontrada em lotes de produtos da marca Ypê, que tiveram a fabricação e a comercialização suspensas em maio. Na última sexta-feira (29), a Anvisa anunciou que a Química Amparo, onde os produtos da Ypê foram fabricados, está apta a retomar as suas atividades de forma imediata.
Trata-se de uma bactéria que vive na água, no solo e em superfícies úmidas e é comum no ambiente, sendo encontrada até na pele de pessoas saudáveis. Além disso, ela é considerada pouco agressiva para a maioria das pessoas.
O microrganismo ameaça populações específicas, como pacientes com fibrose cística, queimados, oncológicos, transplantados, imunossuprimidos, recém-nascidos, idosos frágeis, pessoas com cateter e que estão em ventilação mecânica.
— É uma bactéria que está normalmente no ambiente, é do tipo oportunista. Ela está está esperando abaixamento da nossa resistência — explicou o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido como Dr. Bactéria, em entrevista ao Timeline, da Rádio Gaúcha, no dia 11 de maio, pouco após as restrições impostas à Ypê.
Em pessoas saudáveis, o risco de infecção após a exposição ao produto contaminado é baixo. Já em grupos vulneráveis, a Pseudomonas aeruginosa pode causar pneumonia hospitalar grave, infecção de corrente sanguínea, sepse e até infecção ocular.
Suspensão pela Anvisa
A determinação da Anvisa para a água mineral da marca Crystal foi publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial da União (DOU). As medidas abrangem itens do lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, fabricado pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia (GO). A empresa se manifestou sobre o recolhimento via nota enviada à imprensa.
As unidades foram distribuídas principalmente no Distrito Federal, que recebeu mais de 230,4 mil garrafas. Outras 66,7 mil unidades foram destinadas a municípios de Goiás, 75,7 mil para o interior de São Paulo e 1,4 mil foram enviadas ao Tocantins.
O problema foi detectado durante coleta de rotina realizada pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF). Após a confirmação da presença da bactéria, a vigilância sanitária local determinou a interdição do lote e comunicou o caso à Anvisa.
O que fazer se você tem o produto
A Anvisa orienta os consumidores que verifiquem sem têm em casa unidades do lote LZ1 VAL 200127, fabricado em 20/1/2026 e com validade até 20/1/2027. "Caso tenham o produto em casa, não devem consumi-lo e precisam aguardar as orientações públicas da empresa sobre devolução e reembolso".
"De acordo com as informações apresentadas pela empresa à Anvisa, o recolhimento do produto foi iniciado imediatamente em distribuidoras, e cerca de 99,2% das unidades do lote já não estariam mais disponíveis nas prateleiras para compra pelo consumidor". A Anvisa comunicou ainda que a Mineração Bom Jesus protocolou documentos junto à agência no qual demonstra a abertura de "investigação interna abrangente para avaliar a ocorrência e suas possíveis causas". O processo segue em andamento.
O que diz a Mineração Bom Jesus
A Mineração Bom Jesus informou através de nota à imprensa que o lote envasado em janeiro tem "distribuição restrita e foi comercializado apenas no Distrito Federal, em municípios específicos do Tocantins (Arraias, Combinado e Novo Alegre), de Goiás (Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás e Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão) e nas cidades de Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí (SP)".
Disse ainda que, desde a notificação da contaminação, foram feitas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos, todas negativas para quaisquer microrganismos indicadores de contaminação.
A empresa reforçou o "compromisso permanente com elevados padrões de qualidade e segurança, reconhecidos internacionalmente" e afirmou que segue "cooperando de forma técnica, responsável e transparente com as autoridades competentes".
Ressaltou que a comunicação se "refere exclusivamente ao lote mencionado, envasado pela Mineração Bom Jesus (MBJ), não havendo qualquer relação com outros lotes ou produtos da marca Crystal".
A fabricante orientou consumidores que eventualmente tenham unidades do lote P 200126 (leia-se na embalagem LZ1 VAL 200127 3 P 200126) a entrarem em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para orientações sobre substituição ou reembolso. O contato pode ser feito pelo telefone 0800-061-5000 ou pelo e-mail contato@brasal.com.br.
Relembre o caso Ypê
A suspensão da comercialização de produtos de mais de cem lotes ocorreu em maio. A decisão se deu após inspeções na unidade da empresa em Amparo, em São Paulo, realizadas em conjunto com a Vigilância Sanitária.
Segundo a Anvisa, foram identificadas falhas em etapas consideradas críticas da produção, como problemas no controle de qualidade, presença de corrosão em equipamentos e armazenamento inadequado de resíduos.
Além disso, o órgão também apontou a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de cem lotes finalizados com o número 1. A ação da Anvisa resultou na interrupção do uso de 24 produtos da marca.
Na última sexta-feira, Anvisa autorizou a retomada da produção dos produtos Ypê na fábrica após a marca apresentar um plano de ação para atender 76 requisitos sanitários identificados pela inspeção.
O uso dos produtos lava-roupas líquido, lava-louças líquido e desinfetantes identificados pelo final de lote 1 fabricados a partir de 1° de abril de 2026 está autorizado. No entanto, a orientação para não utilizar os produtos finalizados com o algarismo 1 no lote fabricados até 31 de março de 2026 segue mantida.
