
Uma semana após um projeto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificar a presença da superbactéria Acinetobacter baumannii nas águas do Guaíba, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) de Porto Alegre deu início a uma nova fase de análise dos pontos de balneabilidade da Capital. Mesmo com o achado científico, o Dmae garante que o registro não altera o posicionamento do órgão sobre os pontos considerados balneáveis.
Todos os locais já classificados como próprios para banho seguem liberados para a população. Além disso, a autarquia mantém sua rotina padrão de operação e garante que o grupo de bactérias identificado não é resistente às barreiras sanitárias aplicadas no tratamento da água que chega às torneiras dos moradores.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, até o momento não há registros de pessoas infectadas pela bactéria em decorrência do contato com o lago. A prefeitura de Porto Alegre reforçou que o risco de infecção durante o banho é mínimo.
Em comunicado divulgado pela prefeitura, Afonso Luís Barth, doutor em Microbiologia Clínica e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Resistência Bacteriana (Labresis) do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, aponta que, para haver algum perigo real, seria necessário que o banhista apresentasse um quadro específico de imunidade.
"Casos do tipo são mais comuns no caso da Escherichia coli, quando ingerida. A Acinetobacter baumannii não possui esta rota de infecção. Em uma hipótese remota, o banhista teria que estar com algum tipo de ferimento aberto e possuir características de imunossupressão para sofrer algum tipo de efeito adverso", explica.
A Secretaria da Saúde esclareceu ainda que, embora acompanhe a situação, não há necessidade de uma operação específica, visto que a mera presença da bactéria não configura uma crise de saúde pública. A recomendação oficial é que, em caso de qualquer mal-estar após o contato com a água do Guaíba, o cidadão procure atendimento médico imediatamente.
O que é a bactéria
A bactéria Acinetobacter baumannii é a mesma envolvida no surto que fechou a UTI neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre. Ela foi identificada em quatro pontos de coleta de água do Guaíba pelo projeto ClimaRes WaSH, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS).
Trata-se de uma bactéria gram-negativa, classificação dada a microrganismos que possuem uma membrana externa capaz de dificultar a ação de antibióticos e aumentar a resistência a tratamentos. Em condições normais, ela vive no ambiente, em água, solo e vegetação.
*Com a supervisão da editora Estfany Soares


