Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, nesta sexta-feira (22), a pesquisadora do Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Tatiana Portella destacou que há chance de o Rio Grande do Sul chegar ao nível máximo de alerta para casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) se a elevação permanecer de acordo com a tendência atual:
— A gente não vê sinal de desaceleração desse crescimento (nos casos de SRAG). Ele está acelerado. O Rio Grande do Sul é um Estado em que a temporada desses vírus respiratórios começa um pouco depois. Enquanto em muitos Estados a gente já observa um início de queda, até mesmo uma queda mais avançada, dos casos de influenza, no Rio Grande do Sul os casos continuam aumentando.
Comparando a semana epidemiológica 18 deste ano com a de 2025, o Boletim InfoGripe, divulgado na quinta (21), aponta uma elevação de casos de influenza, com 108 no ano passado e 116 neste ano. Já na contagem de todas as ocorrências de SRAG, que inclui as relativas à influenza, foram 361 no mesmo período em 2025 contra 331 em 2026.
Baixa cobertura vacinal
Portella esclareceu que, nesta época do ano, é esperado um aumento na circulação dos vírus respiratórios, como influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR), mas chama a atenção para a elevação, que começou mais cedo neste ano:
— No Rio Grande do Sul, a gente observa que esses casos graves, principalmente pelo vírus da influenza, já atingiram um patamar alto para a região.
A pesquisadora afirmou que o ano passado foi atípico, com uma explosão de ocorrências. A principal hipótese dos estudiosos para isso é a baixa cobertura vacinal, que persiste neste ano. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a cobertura dos grupos prioritários é de 41%. Considerando apenas crianças de seis meses a menores de seis anos, a proporção é de 23,5%.
Vacina protege contra casos graves e mortes
Dados do painel estadual da SES mostram que de 782 pessoas hospitalizadas, apenas duas estavam vacinadas contra a gripe nesta temporada, e, entre os 57 óbitos registrados, nenhum dos indivíduos havia se vacinado neste ano.
Considerando o acumulado de 2026 até a semana epidemiológica 20, o Estado teve 4.241 hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave. Em 2025, foram 5.006 no mesmo período. Já as mortes em 2026 chegaram a 273, enquanto no ano passado foram 551.
— Tanto para influenza quanto para VSR, que são os vírus que têm circulado mais atualmente no Estado, a gente já tem uma vacina. Essa vacina não impede a pessoa de ser infectada, mas, caso seja infectada, diminui as chances de desenvolverem as formas mais graves ou irem a óbito — salientou Portella ao Gaúcha Atualidade.
Novo lote de vacinas
O Rio Grande do Sul deve receber na próxima quarta-feira (27) um novo lote com 536 mil doses da vacina contra a gripe, enviadas pelo Ministério da Saúde.
Os imunizantes serão distribuídos às coordenadorias regionais, que farão o repasse aos municípios para aplicação na população.




